ECONOMIA e SOCIEDADE por Jose Porfiro


Sexta-feira , 30 de Setembro de 2011


É PRECISO SUPERAR DOGMAS

Por Diego Viana | De São Paulo

VALOR ECONÔMICO, 30-09-2011

O cabo-de-guerra em torno da crise segue empatado. Por um lado, as dívidas soberanas na Europa claramente em níveis impagáveis e o bloqueio de políticas de estímulo nos EUA são um incentivo irresistível para quem pretende culpar a política e os governos pelas tormentas nos mercados. Por outro lado, a sucessão de fraudes no mercado financeiro americano, que levaram à quebra de grandes bancos e à intervenção em outros, puseram os holofotes sobre as práticas pouco elogiáveis de um mercado financeiro desregulado, numa crítica que o oscarizado documentário "Trabalho Interno" levou ao grande público.

Se não é fácil decidir entre culpar os governos e culpar os mercados, há economistas que propõem superar o impasse culpando os dois. "Os problemas da economia têm adquirido um caráter cada vez mais político e institucional, mas os economistas têm avançado muito lentamente no entendimento desses aspectos", diz o economista inglês Geoffrey Hodgson, da Universidade de Hertfordshire, autor de "Economia e Instituições" e editor do periódico "Journal of Institutional Economics".

"Temos de entender que qualquer mercado só pode existir dentro de uma moldura regulatória", diz o economista James Galbraith

Os vilões da crise são numerosos e não necessariamente econômicos, na avaliação de Hodgson e de outros institucionalistas, como o coreano Ha-Joon Chang, professor da Universidade de Cambridge. "Temos operado numa dicotomia entre o Estado e o mercado. Isso é muito redutor, porque mercados funcionais precisam de Estados funcionais e vice-versa", diz ele. Autor de "23 Things They Don't Tell You About Capitalism", previsto para ser lançado no Brasil pela Cultrix, Chang observa que, ao "conseguirmos entender a diversidade e a complementaridade das instituições, incluindo o Estado e o mercado, estaremos menos expostos a dogmas extremistas e poderemos conduzir políticas mais pragmáticas".

Para esses economistas, a compreensão das instituições é prerrequisito para propor soluções. Ou seja, a retomada do crescimento exige o desarme das armadilhas que levaram às dificuldades atuais. "A crise vai prosseguir por alguns anos, e com a estagnação e o desemprego, as forças que conduzem à reforma do sistema vão crescer", afirma Chang.

Hodgson assinala que elementos externos à economia, como fraudes em contratos, rigidez ideológica e impasses políticos têm fortes implicações econômicas. Por isso, economistas como Chang e Hodgson tentam construir suas análises incorporando elementos emprestados de outras disciplinas. "Precisamos olhar mais para o mundo real", argumenta Hodgson, que está no Brasil para uma série de palestras no Rio e em São Paulo. Ele busca estreitar os laços com acadêmicos de outras disciplinas. "Para entender com mais realismo o funcionamento dos mercados, temos de entender como funcionam as instituições do mercado, e isso só é possível com um olhar histórico."

Para os economistas Geoffrey Hodgson (foto) e James K. Galbraith, é preciso entender como funcionam as instituições do mercado

Para ele, o problema é global e inclui instituições bancárias, regulações financeiras e a crise política na União Europeia, que deixa as autoridades patinando. "No caso europeu, o problema institucional é reforçar os fundamentos políticos da zona do euro, antes que ela se desintegre." Não é uma questão de mudanças na política monetária ou fiscal, mas de cultura institucional.

O aspecto institucional das crises financeiras é exemplificado por Jonathan Nitzan, da Universidade de York, no Canadá. Autor (com Shimshon Bichler) de "Capital as Power", ele tenta entender como os fluxos de capitais se traduzem no funcionamento da política. Nitzan sugere um olhar sobre o passado para procurar propor saídas para a superação da crise atual. Os grandes ciclos de baixa, diz, terminaram com altas muito fortes.

Mas não basta essa constatação para trazer ventos de otimismo. Os ciclos de alta não acontecem por conta própria, como se a economia se cansasse da estagnação. Todas as viradas, segundo o economista, são pontuadas por grandes mudanças institucionais. No início do século XX, um longo período de baixa foi superado com a passagem do capitalismo do século XIX, marcado pela atuação de grandes pioneiros conhecidos como "robber barons", como John D. Rockefeller e J. P. Morgan, para o capitalismo de companhias anônimas do século XX. A Grande De. ..SEGUE....

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Cadernos FGV Projetos “Política Cambial Brasileira”

 

'Banco Central está no caminho certo', diz Figueiredo
Por Cristiano Romero | De Brasília
VALOR ECONÔMICO, 30-09-2011
Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Sekular: Banco Central viu cenário mais pessimista antes do mercado
Ao surpreender o mercado com a redução da taxa de juros em agosto, o Banco Central (BC) se antecipou aos efeitos da crise financeira mundial e à desaceleração da economia brasileira, que, na margem, já pode estar crescendo algo entre 2% e 2,5% ao ano. O BC está sendo realista e adotando uma ação preventiva para evitar que a economia caia muito abaixo do seu potencial de crescimento.
A avaliação é de Luiz Fernando Figueiredo, sócio da gestora de recursos Mauá Sekular Investimentos e ex-diretor de Política Monetária do BC na gestão Armínio Fraga (1999-2003). Em entrevista ao Valor, ele afirmou que a ação do BC deve ser entendida no contexto de um mundo que vive "momento de anormalidade".
O economista, de formação ortodoxa, mencionou que, em 2001 e 2002, pressionado por choques diversos, o BC chegou a mudar mensalmente a meta ajustada de inflação. "Num período normal, o BC não faz isso. Agora, num período de anormalidade, em que há muitos choques, acaba fazendo."
Figueiredo fez questão de dizer que é contrário à adoção de barreiras comerciais, mas ressalvou que, desde a crise 2008, os Estados Unidos e a Alemanha, por exemplo, já impuseram mais barreiras que o Brasil. "O ideal é que ninguém faça isso, mas, infelizmente, o mundo está fazendo, então, de alguma maneira, você tem que se proteger."
Segundo Figueiredo, a crise lá fora é muito mais séria e longa do que vêm enxergando muitos analistas brasileiros. O BC, disse ele, entendeu isso desde o início do ano. "O choque de crédito que está ocorrendo no sistema financeiro europeu é de magnitude, em alguns casos, maior que o de 2008/2009", afirmou. "Mesmo que não haja um evento bancário, os bancos não têm capacidade hoje de emprestar dinheiro."
Embora apoie com entusiasmo a gestão de Alexandre Tombini no BC e acredite na promessa do governo de cumprir a meta cheia de superávit primário das contas públicas, Figueiredo criticou a manutenção da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de derivativos. Segundo ele, o IOF criou uma assimetria e tornou o mercado totalmente disfuncional.
"O choque de crédito no sistema financeiro europeu é de magnitude maior que o de 2008/2009"
Valor: O BC reduziu os juros, mesmo com as expectativas apontando inflação acima da meta de 4,5%. Como o senhor avalia isso?

 

 

Insensatez em marcha

por Rogério Furquim Werneck - O Globo - 30/09/2011

 

NELIBERAIS E DESENVOLVIMENTISTAS

por Mansueto Almeida - Valor Econômico, 30-09-2011

É comum encontrar nas páginas de jornais e em artigos acadêmicos um embate entre os chamados economistas neoliberais e os desenvolvimentistas. Em linhas gerais, os neoliberais são taxados de "cabeças de planilha", que acreditam ingenuamente em um mercado que se autorregula, na abertura comercial, na liberalização do fluxo de capital e dão importância excessiva aos fundamentos econômicos.

Os desenvolvimentistas seriam aqueles que acreditam no papel regulador do Estado, na proteção do mercado para fomentar a indústria doméstica, defendem a redução da taxa de juros e não veem restrições ao crescimento que não sejam a falta de ação do governo. A preocupação com os fundamentos econômicos é secundária, inclusive com a inflação, pois esse grupo acha irrelevante a discussão se a inflação será, por exemplo, de 6,45% ou 6,75% - a casa decimal pouco importa e, às vezes, nem mesmo o número inteiro.

O debate, quando colocado dessa forma extrema, até faz sentido do ponto de vista acadêmico, mas é pouco construtivo para o debate econômico atual e vários dos economistas que insistem em caracterizar de maneira caricatural seu suposto oponente sabem disso.

Elevar investimento em infraestrutura e melhorar a educação não têm relação com esse debate estéril

Um bom exemplo é o debate em relação à inflação. Em vez da discussão daqueles que defendem uma inflação de 0 a 3% ao ano, neoliberais, e aqueles que não se importam com a inflação, desenvolvimentistas, o debate atual é muito mais sutil e complicado. O que se discute hoje é a velocidade de convergência para a meta de inflação de 4,5% ao ano e as medidas necessárias para que essa convergência ocorra.

Alguns economistas acham que o Banco Central (BC) exagerou no seu cenário catastrófico da economia mundial, outros acham que o cenário do BC é cada vez mais provável e há sim uma chance real de o Brasil reduzir os juros. Mas há um quase consenso que esse esforço de redução do juros só será bem sucedido se acompanhado de maior responsabilidade fiscal e aumento da poupança pública. Essa tese é defendida por economistas que se identificam com as duas correntes.

Outro exemplo é em relação ao crescimento dos gastos sociais. Quando algum economista identificado com a ala neoliberal sugere o controle do crescimento dos gastos sociais como forma de reduzir o crescimento do gasto público, economistas desenvolvimentistas afirmam que seu colega neoliberal está propondo o fim do estado de bem estar social. Novamente, o debate é mais complicado. No Brasil, os gastos sociais crescem quase que continuamente desde a Constituição de 1988, mas é cada vez mais questionável a eficácia distributiva desses gastos e os desenvolvimentistas sabem disso.

Há, por exemplo, claras distorções nos gastos com pensão por morte e com seguro-desemprego, independentemente do debate se o eleitor quer mais ou menos política distributiva. Acho questionável que o eleitor entenda e queira que uma pessoa de 80 anos de idade se case com outra de 20 anos de idade e que esse ou essa jovem usufrua de uma renda vitalícia quando seu parceiro morrer. Da mesma forma, não é comum que os gastos com seguro-desemprego cresçam mesmo quando o desemprego diminui como acontece no Brasil. Racionalizar esses gastos tem adeptos nas duas correntes e, novamente, nenhuma relação com o embate entre neoliberais e desenvolvimentistas.

Em relação à falta de recursos para aumentar os investimentos em infraestrutura, saúde e educação, muitos acham que tudo pode ser "resolvido" com mais carga tributária. Mas aqueles que defendem essa proposta são grupos cuja renda depende mais do seu poder de lobby do que da sua produtividade. O problema é que mais carga tributária, para um país de renda média como o Brasil, fatalmente comprometerá o crescimento da economia. Novamente, neoliberais e desenvolvimentistas se colocam, em geral, contra novos aumentos da carga tributária.

Por fim, a última edição do índice de competitividade global do World Economic Forum mostra, mais uma vez, que os maiores problemas de competitividade do Brasil quando comparado com outros 141 países são: 1) a baixa qualidade da nossa infraestrutura; 2) elevada carga tributária, 3) excesso de regulação; 4) baixa qualidade da educação primária, 5) rigidez no mercado de trabalho; 6) burocracia na abertura de novos negócios, e 7) dívida e spread bancário elevados. Aumentar o investimento em infraestrutura e melhorar a qualidade da educação, por exemplo, não tem absolutamente nenhuma relação com o debate estéril entre desenvolvimentistas e neoliberais.

O que precisamos saber, por exemplo, é como reduzir o spread bancário, aumentar a eficiência do estado na execução de obras públicas, melhorar a eficácia dos gastos sociais, que já são elevados, reduzir as distorções dos gastos com pensão por morte e as regras de concessão do seguro desemprego. No mundo real, o governo é mais pragmático e busca a aprovação do eleitor. Se a elevação da inflação reduzir o índice de aprovação do governo, este voltará a ser mais "neoliberal". Por outro lado, se a ousadia do Banco Central se mostrar correta, o governo será mais desenvolvimentista. É "simples" assim, mas há ainda economistas supostamente maduros que não se cansam de brincar do bem contra o mal ou da batalha estéril entre desenvolvimentistas e neoliberais.

Mansueto Almeida é técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). mansueto.wordpress.com

O MUNDO DE PONTA CABEÇA

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 05h10
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Quinta-feira , 29 de Setembro de 2011


CÓDIGO DE BOAS PRÁTICAS CIENTÍFICAS

Versão de 16/09/2011

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 22h39
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Quarta-feira , 28 de Setembro de 2011


COMO SUPERAR O DETERMINISMO GEOGRÁFICO E GENÉTICO

Os desequilíbrios econômicos e sociais entre países e regiões nunca pararam de crescer ao longo dos últimos dois séculos. Há pouquíssimos exemplos que contrariam esta tendência. As teorias explicativas mais populares para este fenômeno dizem respeito à localização geográfica e as características genéticas.

Assim, cada região estaria condenada a ser desenvolvida ou subdesenvolvida dependendo da localização geográfica e/ou do tipo de genes de sua população. Essa interpretação foi cuidadosamente atualizada com outros aspectos, como a posição e localização da rede hidrográfica, o desenho dos litorais, a qualidade do solo e a morfologia do relevo. Tanto detalhe!

Muitas verificações e revisões dessas explicações já foram realizadas em artigos e livros: (i) “Tropical underdevelopment”, de Jeffrey Sachs; (ii) “Why are we so rich and they so poor?”, e, “A riqueza e a pobreza das nações”, de David Landes; (iii) “How rich countries got rich … and why poor countries stay poor", de Eric Reinert, resenhado por by Rajah Rasiah; (iv) “Três léguas”, de Eliana Cardoso (em Fábulas econômicas); (v) “Geografia e Modernidade”, de Paulo Gomes (“Pode a geografia determinar o desenvolvimento?”, por André Gardini).

Até no livro de Charles Jones, “Introdução à teoria do crescimento econômico”, há uma síntese específica das principais explicações. Como sempre, a polêmica prevalece. Enquanto uns saboreiam agradavelmente a explicação da localização geográfica ou dos genes, outros não a engolem, jamais; o máximo que conseguem é esputar.

Particularmente para a América Latina, Michael Reid, em “Continente esquecido” (resenhado por David Gallagher, Folha, 09-03-08), e Francis Fukuyama [here], em “Ficando para trás”, carregam a tinta nos aspectos culturais, que até podem explicar alguma coisa, a exemplo da localização geográfica e/ou genética, mas não pode ser adotada como uma interpretação definitiva. Talvez os aspectos culturais tenham o mesmo peso das explicações institucionais, atualmente, com maior densidade acadêmica, tanto no meio dos ortodoxos, quanto dos heterodoxos.

Seria possível não considerar estas interpretações dos desequilíbrios regionais que condenam grupos populacionais ao subdesenvolvimento em função do determinismo geográfico ou pelo tipo genético da população?

Vamos pressupor que seria possível e dialogar com exemplo de política de desenvolvimento para determinados espaços geográficos, com a finalidade de tirá-los da situação de subdesenvolvimento. Um bom exemplo foi a brava iniciativa do Pólo de Conhecimento.

No segundo semestre de 2010, o governo assinou um decreto criando o Pólo de Conhecimento de Xapuri, ao mesmo tempo em que anunciava o envio para o legislativo de proposta de criação do Programa Estadual de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. Coisa fantástica; com essa iniciativa não teoria determinismo geográfico ou genético que pudesse condenar Xapuri eternamente ao subdesenvolvimento.

Mesmo que com grave vício de concepção e origem (ver entre colchetes), não se pode desconsiderar que foi uma das mais brilhantes iniciativas. [Ancorado na instalação de uma base do Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino (CATIE), sediado na Costa Rica, em detrimento de algo que pudesse efetivamente funcionar no Brasil. A despeito do reconhecido pressuposto contemporâneo de se internacionalizar o sistema de política tecnológica, ainda não há nenhuma interpretação convincente favorável a importação de instituições.]

Quem poderia imaginar que Xapuri pudesse se transformar num Pólo de Desenvolvimento Sustentável. A ideia é boa e é fortemente amparada por reconhecidas estruturas teóricas disponíveis. Imagina alguém chegar naquela cidade e ter a possibilidade de visitar instituições de ensino, de pesquisa e de desenvolvimento atuando no entorno dos empreendimentos ali já existentes. Parece coisa da imaginação.

No médio e longo prazo um Pólo dessa natureza seria praticamente a salvação da fábrica de tacos e das atividades de móveis daquele espaço. No momento, nem sei se a semente do Pólo de Desenvolvimento Sustentável ainda está no viveiro. Se ainda está ou não, o determinismo geográfico é cruel.

O tempo passou. Então, li duas matérias de jornais que não me soaram agradavelmente para o Pólo de Conhecimento imaginado para Xapuri. A primeira (finalzinho de junho) se refere às articulações de fortalecimento e o apoio para a implantação de um Campus da UFAC no Alto Acre, com sede em Brasileia.

E, a segunda (agosto) foi a divulgação, justamente em Xapuri, de que o governo iria estruturar os Pólos Moveleiros de todos os municípios do Alto Acre. Não há espaço aqui para explicar as ambigüidades destas ações face às o que seriam as possibilidades do sonhado Pólo de Conhecimento Sustentável de Xapuri.

Compreendo perfeitamente que isso se dá em decorrência da dinâmica política de cada instituição e de cada ente governamental (federal e estaduais/municipais), que dificulta, naturalmente, que todos compreendam como seria mais eficaz se livrar do determinismo geográfico ou genético, em vez de dá razão a bibliografia mencionada acima. O Pólo de Conhecimento Sustentável de Xapuri seria possível, a despeito destas ações constritivas?

In: Jornal Página 20, 28-09-2011

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 05h34
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Segunda-feira , 26 de Setembro de 2011


CONTRAÇÃO FISCAL REDUZ REALMENTE OS JUROS?

Por Marcos Vinicius Chiliatto-Leite e Guilherme Santos Mello

Jornal Valor Econômico, 26-09-2011

Os problemas decorrentes de uma elevada taxa básica de juros na economia brasileira há muito tempo estão em pauta. São conhecidos os efeitos da alta da Selic em termos de desestímulo ao investimento e à produção, pressões na taxa de câmbio, dentre outras implicações. Diante do impasse com o alto patamar da Selic, estabeleceu-se recentemente um amplo debate acerca dos possíveis métodos para obter sua redução. Neste debate, apesar das inúmeras divergências entre as estratégias para a redução da Selic, formou-se um denominador comum: de que um "ajuste" fiscal levaria à queda da taxa de juros.

Não causa espanto que autores de formação "ortodoxa" concordem que um "ajuste" fiscal reduza os juros. Ao perpetrar sua velha cantilena, reprisa-se a ideia de que uma elevação no rigor fiscal elevaria a oferta de poupança e contribuiria para a queda dos juros, já que, para tais autores, a taxa de juros resulta do equilíbrio da oferta e demanda por recursos reais.

A fragilidade desse antigo, mas sempre reproduzido, argumento se percebe com a contribuição de John Maynard Keynes, na qual a taxa de juros reflete o grau de disposição dos detentores de riqueza em abrir mão da liquidez, ou seja, da moeda. E como se define a "preferência pela liquidez"? A resposta não está necessariamente relacionada a fatores reais, mas decorre das convenções formadas no mercado e é racional que se exacerbe a busca por liquidez (segurança) em momentos de alta incerteza. Assim, a taxa de juros não é o preço que equilibra a disponibilidade de poupança e demanda para investimento. Os juros são o preço que os detentores de riqueza cobram para abrir mão da liquidez e assumir o risco de manter seu patrimônio em posições menos líquidas.

 

Decisão do Copom reflete contexto de desaceleração, de crise no exterior e de possível baixa em commodities

Sendo assim, o que surpreende é que autores reconhecidamente "heterodoxos" tenham defendido que uma política fiscal rigorosa contribuiria para reduzir a Selic, sem qualificar devidamente o mecanismo pelo qual ocorreria essa "transmissão" entre política fiscal e monetária. ...SEGUE...

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Enviado por  em 18/01/2010

O Blog cafenapolitica.com.br entrevista a Professora Maria de Lourdes Mollo, do departamento de Economia da Universidade de Brasília, levada ao ar na TV Cidade Livre de Brasília, Canal 8 da NET, em 18/01/10, às 7 horas, e 20/01/10, às 19 hs. Nosso tema é a Intocabilidade das Reservas Internacionais e dos Bancos Centrais. a professora da UnB é especialista em Economia Monetária, Economia Política, História do Pensamento Econômico e Economia Brasileira. Esta é a primeira de quatro partes da entrevista.

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É PRECISO SUPERAR DOGMAS

 

Por Diego Viana | De São Paulo

VALOR ECONÔMICO, 30-09-2011

O cabo-de-guerra em torno da crise segue empatado. Por um lado, as dívidas soberanas na Europa claramente em níveis impagáveis e o bloqueio de políticas de estímulo nos EUA são um incentivo irresistível para quem pretende culpar a política e os governos pelas tormentas nos mercados. Por outro lado, a sucessão de fraudes no mercado financeiro americano, que levaram à quebra de grandes bancos e à intervenção em outros, puseram os holofotes sobre as práticas pouco elogiáveis de um mercado financeiro desregulado, numa crítica que o oscarizado documentário "Trabalho Interno" levou ao grande público.

Se não é fácil decidir entre culpar os governos e culpar os mercados, há economistas que propõem superar... .... ..

 

'Banco Central está no caminho certo', diz Figueiredo
Por Cristiano Romero | De Brasília
VALOR ECONÔMICO, 30-09-2011
Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Sekular: Banco Central viu cenário mais pessimista antes do mercado

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 07h36
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Sábado , 24 de Setembro de 2011


ENTREVISTA EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

'América Latina pode ter sua Bangalore', defende autor

Para jornalista, século 21 é marcado pelos produtos do conhecimento

cifras & letras
MARIA PAULA AUTRAN - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, caderno Mercado, 24-09-2011


O jornalista argentino Andrés Oppenheimer foi a países como China, Índia e Israel para investigar a influência dos sistemas educacionais no progresso local em ciência e tecnologia.
Em "Basta de Histórias!" (Objetiva), recém-lançado no Brasil, ele diz que no século 21 os países precisam investir na educação e na economia do conhecimento. Veja alguns trechos da entrevista.

Conhecimento

O século 21 é o da economia do conhecimento, pois seus produtos se valorizam mais que as matérias-primas. Somente 3% do preço de um café brasileiro no Starbucks dos EUA volta ao produtor; 97% vão para quem fez o processamento, a engenharia genética etc., produtos da economia do conhecimento. Se queremos estar nesse grupo, temos de investir em educação, ciência e tecnologia.

Patentes
Os países mais ricos são os que produzem patentes de produtos da economia do conhecimento. Hoje, uma empresa como o Google vale mais que o PIB da Bolívia.

Educação
Uma das principais diferenças que encontrei nos países em que estive é que na América Latina não temos uma cultura familiar de educação. Os asiáticos têm. Eles investem todo o seu tempo e dinheiro na educação de seus filhos. Nós, não.

Engenheiros
Na Índia, criou-se uma massa de engenheiros sem se preocupar se conseguiriam trabalho. E a oferta veio, das companhias internacionais. Nós não produzimos tantos porque temos medo de que vão dirigir um táxi, mas não percebemos que, se criamos uma massa, as empresas virão contratá-los. Na América Latina é possível criar uma Bangalore, como na Índia, mas é preciso formar mais engenheiros e menos psicólogos.

Fuga de cérebros
O que vi na Índia, na China e em Cingapura é que o conceito de fuga de cérebros é datado. Está claro que, quando você manda seus melhores cérebros ao exterior, de alguma forma todos vão contribuir para o país de origem. O que antes era um fenômeno negativo, hoje é positivo, a "circulação de cérebros".

Exemplo
Como nasceu Bangalore? Os indianos foram estudar engenharia nos EUA, conseguiram trabalho no vale do Silício e depois formaram suas próprias empresas e se deram conta de que podiam contratar um engenheiro em seu país por muito menos que na Califórnia. Foram a Bangalore, investiram e começou o que hoje é um dos principais motores da Índia.

Brics
Creio que o Brasil tem grandes chances de competir com sucesso com as outras potências emergentes, desde que assuma suas pendências, com humildade. No livro, pergunto a Bill Gates, qual o segredo para que alguns países avancem e outros não e ele diz: "a humildade".

Paranoia
Na China, na Índia e em todos esses países eles olham sempre ao redor com uma espécie de paranoia, que outros países estão melhor. Seria bom para o Brasil perceber que registra só cem patentes por ano nos EUA. Ter paranoia construtiva de que não há nenhuma universidade brasileira entre as melhores.


BASTA DE HISTÓRIAS!
Andrés Oppenheimer
EDITORA Objetiva
QUANTO R$ 49,90 (392 págs.)
TRADUÇÃO Joana Angélica

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LANÇAMENTOS

INOVAÇÃO
Inovação: A revolução do conhecimento nas empresas brasileiras

Renato Cruz
EDITORA Senac; QUANTO R$ 42,90 (237 págs.)
Discorre sobre inovação, empreendedorismo e pesquisa nas empresas brasileiras para além dos casos de Embraer e Embrapa -ressaltando, contudo, as áreas em que o país ainda vai mal, como a de comércio de componentes eletrônicos, que acumula deficit bilionários.

 

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 02h28
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Sexta-feira , 23 de Setembro de 2011


O MUNDO DE PONTA-CABEÇA

por Luiz Fernando de Paula - Valor Econômico, 23-09-2011

Um dos aspectos fundamentais do pensamento de John Maynard Keynes é a assunção básica de que as principais decisões empresariais em uma economia monetária, sobretudo aquelas relacionadas a um horizonte temporal mais dilatado, como no caso das decisões de investimento, estão sujeitas a incerteza radical. Incerteza, neste caso, significa a impossibilidade de se determinar, a priori, o quadro relevante de influências que atuarão entre a decisão de se implementar um determinado plano e a obtenção efetiva de resultados, dificultando a previsão segura que serviria de base para uma decisão "racional".

No conceito de Keynes sobre incerteza, não somente algumas premissas podem não ser conhecidas no momento de decisão como elas também podem ser incapazes de serem conhecidas. Keynes distinguia incerteza de risco probabilístico: "Desejo explicar que por conhecimento 'incerto' não pretendo apenas distinguir o que é conhecido como certo do que apenas é provável. Neste sentido, o jogo de roleta não está sujeito à incerteza; nem sequer a possibilidade de se ganhar na loteria (...). O sentido que estou dando ao termo é aquele segundo o qual a perspectiva de uma guerra europeia é incerta, o mesmo ocorrendo com o preço do cobre e da taxa de juros daqui a 20 anos, ou a obsolescência de uma nova invenção (...). Sobre estes problemas não existe qualquer base científica para um cálculo probabilístico. Simplesmente nada sabemos a respeito".

Mundo vive momento de grande incerteza quanto ao futuro, com forte impacto negativo nas expectativas

É a incerteza incontornável quanto ao futuro que justifica a preferência pela liquidez dos agentes, isto é, de querer manter a riqueza sob a forma de moeda e outros ativos líquidos. Isso porque em momentos de maior incerteza percebida pelos agentes, que causa uma forte deterioração em suas expectativas, estes passam a dar preferência a flexibilidade na composição de seu portfólio, preferindo liquidez a rentabilidade. Nesse contexto, é natural que empresas posterguem seus planos de investimento, os bancos racionem crédito e os indivíduos evitem comprometimento com dívidas.

Não há dúvida que, três anos após a crise deflagrada pela concordata do Lehman Brothers, o mundo atual vive um momento de grande incerteza quanto ao futuro, com forte impacto negativo nas expectativas dos agentes: simplesmente não se sabe o tamanho do tombo que virá à frente. Em que pese o fato dos efeitos da crise financeira terem sido contidos em função da adoção de políticas anticíclicas nos países desenvolvidos, evitando que a crise, ainda que aguda, resultasse em uma "grande depressão", tais políticas não foram suficientes para permitir uma retomada do crescimento do produto e do emprego, com sinais recentes de uma nova desaceleração. Tudo leva a crer que teremos uma recuperação em W, em função da crise da zona do euro, sem solução à vista, e do fato que os EUA se comprometeram em fazer um ajuste fiscal prematuro que retira a possibilidade de fazer uso da política fiscal anticíclica.

Parece que as lições de crise não foram aprendidas inteiramente pelos "policy-makers" e muitos acadêmicos: procura-se dar soluções de mercado para problemas que foram gerados justamente por um mercado excessivamente livre. O argumento liberal é que, no caso dos EUA, empresas e indivíduos não têm confiança em gastar em função da política fiscal excessivamente expansionista que leva a um crescimento da dívida publica insustentável a longo prazo: agentes dito racionais, sabendo que o governo terá que aumentar impostos no futuro, irão poupar mais no presente. Assim, somente uma desaceleração nos gastos do governo restauraria a confiança dos agentes.

Ora, como sugerido acima, é completamente ingênuo pensar que em situação de expectativas fortemente deterioradas os agentes vão ser estimulados a gastar mais com a redução dos gastos do governo (ou redução nos impostos). Como assinalou Paul Krugman, em recente artigo no "NY Times", pesquisas feitas com empresas americanas mostram que é a falta de demanda (exacerbada pela expectativa de cortes do governo), em vez de impostos e regulação, que inibe os negócios no país.

Por outro lado, assiste-se o lento aprofundamento da crise do euro, que resulta não só dos impactos da crise mundial como também de sérios problemas estruturais relacionados à implantação da moeda única (falta de mecanismos fiscais supranacionais, ausência de uma unidade política, diferenças de estrutura econômica e social entre países, etc.). Neste caso prevalece uma solução que procure dar conta do problema do "risco moral", gerado pelo elevado endividamento público ou privado nos países da periferia do euro - diga-se de passagem, fortemente estimulado pelos reduzidos juros na periferia que seguiu a introdução do euro. Tal como no caso da Argentina, países como Grécia parecem agonizar na espera de que algum milagre aconteça.

Enfim, está claro que, três anos após a crise do Lehman Brothers, dado que a China não terá força para se contrapor a uma desaceleração mundial, a superação da crise passou a ser um problema essencialmente político. Contudo, dada a miopia das lideranças políticas, o que se pode esperar é um "mundo de ponta-cabeça".

Luiz Fernando de Paula é professor de economia da UERJ e presidente da Associação Keynesiana Brasileira (AKB). Email luizfpaula@terra.com.br

 

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Dia D de Dilma

por Marco Aurélio Cabral, Valor, 23-09-2011

Contrariados como meninos mimados, participantes do "mercado" se exasperam nas críticas às supostas interferências políticas sobre o Banco Central, com alardes sombrios sobre o futuro próximo de todos os brasileiros. Ocorre que Banco Central independente é suposto como aquele que resiste a pressões políticas, seja de governos ou de "mercados", para o benefício dos interesses difusos, usualmente silenciosos no debate sobre juros. Nestes termos, ao reduzir juros em 31 de agosto, o Poder Executivo parece alinhar expectativas do "mercado" com o pragmatismo do agravamento da situação econômica internacional. Crises históricas são fenômenos distintos de pânico nos "mercados". Desdobram-se em acontecimentos aparentemente contraditórios se percebidos como simples sobe e desce de indicadores. Vistas de longe, as ondas longas do historiador Fernand Braudel parecem apontar para crises que se somam no momento presente dos fatos. Crises políticas e econômicas que se realimentam e se desenvolvem lentamente. E o pior. Inevitavelmente, para nós brasileiros.

Não se resolve nada ao fingir que o problema não existe e que há "normalidade" nos "mercados". A revisão do produto nos EUA para este ano aponta para taxas de crescimento negativas ao término de 2011. Aproximadamente metade dos espanhóis jovens encontra-se desempregada. Não há recuperação do Japão por conta do acidente nuclear. Pelo contrário, a chance mais concreta é que venhamos a assistir proliferação de favelas em Tóquio.

Governo parece alinhar expectativa do mercado com pragmatismo da situação econômica internacional

Diante disso, pragmatismo explica porque o objetivo de manutenção dos investimentos industriais previstos não é tarefa simples nestes tempos e, portanto, tanto o crescimento quanto o emprego devem ser defendidos pelo Estado brasileiro. O mesmo senso de realidade parece justificar a reorientação da política monetária em favor do enfrentamento da guerra cambial, que beneficia minoria próspera e mina a vitalidade competitiva de pequenos e grandes empresários brasileiros.

Cumpre-se lembrar que meio por cento de redução na taxa básica de juros implica em economia de cerca de R$ 7 bilhões ao ano no pagamento de juros, contribuição mais do que significativa no esforço de melhoria do resultado nominal. Caso mantida gradualismo na queda do diferencial das taxas reais interna e internacional até os níveis de 3% a 5% do "prêmio Brasil", seria necessário cerca de um ano com reduções em juros. Ao cabo deste período, estaríamos economizando cerca de R$ 70 bilhões anuais, esforço do tamanho do montante que será gasto em educação pública no país em 2011.

O Brasil de hoje se encontra em situação bem diferente daquela enfrentada ao final do século passado, quando convivia alta inflação e baixo crescimento. Após uma década de geração de empregos e renda, a fração de brasileiros sem cobertura do sistema bancário caiu, compreendendo-se hoje cerca de 40% da população (estima-se que em 1999 eram cerca de dois terços).

Da mesma maneira, a inflação que vier a resultar no futuro, se vier, pode ser reduzida considerando-se que outras instituições podem participar do esforço de contenção de preços. A Petrobrás já o faz com o preço da gasolina, vilão do passado. Mas poderiam ajudar também as agências reguladoras, em esforço coordenado de desindexação de contratos de concessão. As compensações à vista para as empresas poderiam ser canalizadas para redução de dívidas, principalmente em moeda estrangeira.

Da mesma maneira, a necessidade de redução nos juros poderia ser menor se fossem ativados mecanismos de exportação de capital via apoio financeiro público à aquisição de empresas no exterior por operadores brasileiros. Dado que a crise afeta poderosa e negativamente o segmento de bens de capital e, dado que este segmento gera inovações tecnológicas relevantes para competitividade das cadeias produtivas, espera-se que surjam oportunidades para transferência de tecnologia obtida nos países centrais para grupos industriais brasileiros. Neste contexto, os Ministérios de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e de Ciência e Tecnologia (MCT) poderiam acumular, de forma integrada e coordenada, inteligência tecnológica e competitiva para identificação de setores e tecnologias prioritárias. O BNDES-Exim poderia operacionalizar recursos financeiros para aquisições no exterior com emprego do Fundo Soberano.

Há ainda a opção de se introduzirem controles cambiais, sendo esta alternativa de mais difícil implementação que a penalização dos capitais de curto prazo via impostos sobre movimentações financeiras.

Finalmente, os mecanismos responsáveis pela expansão da oferta, infraestrutura e indústria, devem ser ancorados em estratégias de longo prazo, obedecendo-se a critérios de planejamento da ocupação racional e sustentável do território brasileiro. Com isso, possíveis aumentos de preços poderão ser neutralizados pelo crescimento homogêneo da renda e do emprego, principalmente nas regiões mais pobres do país.

A importância histórica do Copom de agosto de 2011 parece ser a de encerrar período marcado pela retomada do desenvolvimento (2003-2010), iniciando-se novo período de implementação de projeto nacional de desenvolvimento - só que desta vez em ambiente democrático e inclusivo, ao contrário dos nossos rivais chineses.

Em síntese, a decisão de revisão dos juros, em 31.08.2011, parece inaugurar novo período na história econômica do país. Período em que medidas de proteção ao mercado interno e regras que limitam fluxos financeiros internacionais pautarão o novo nacionalismo brasileiro. Para desgosto dos "mercados", contudo, não parece haver qualquer componente ideológico ou politiqueiro por detrás disso. Apenas o velho e bom pragmatismo de proteção do bem coletivo diante de inevitável aumento da ameaça externa.

Marco Aurélio Cabral é professor da Universidade Federal Fluminense

 

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Los retos de Rubalcaba

IGNACIO MURO, El Pais, 23/09/2011

La ausencia de debates sobre la democratización del sistema productivo ha sido un rasgo común a la izquierda socialdemócrata de las últimas décadas. Lo paradójico es que esa carencia ha coincidido con el asalto de los lobbies financieros a las más diversas instituciones, nacionales e internacionales. El Estado de bienestar parecía ser la estación Termini, el programa máximo de la izquierda, mientras sus ideas económicas quedaban congeladas en el keynesianismo. ...segue....

 

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Origens, Causas e Impactos da Crise de 2008

 

Séries Valor Econômico + Adeus à Regra Tayloy e Ben-Vinda à Regra Rousseff

 

Efeitos do Sucesso da Globalização +++ Vídeos sobre Ciência (Econômica) e Homenagem ao Economista

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 05h24
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Quinta-feira , 22 de Setembro de 2011


O CUSTO INTANGÍVEL DO FRACASSO EUROPEU

por José Luís Fiori - VALOR ECONÔMICO, 22-09-2011

"Se fosse possível hierarquizar sonhos, a criação da União Europeia estaria entre os mais importantes do século XX. Depois de um milênio de guerras contínuas, os estados europeus decidiram abrir mão de suas soberanias nacionais, para criar uma comunidade econômica e política, inclusiva, pacífica, harmoniosa, sem fronteiras, sem discriminações e sem hegemonias. Um verdadeiro milagre, para um continente que se transformou no centro do mundo, graças à sua capacidade de se expandir e dominar os outros povos, de forma quase sempre violenta, e muitas vezes predatória." JLF: "Os sinos estão dobrando", Valor, junho de 2008

Os sinais de desagregação são cada vez maiores e frequentes, e já não cabe dúvida que o processo de "unificação europeia" entrou num beco sem saída. É quase certo o calote da dívida grega, e é cada vez mais provável a ruptura da zona do euro, que teria um efeito em cadeia, de grandes proporções, dentro e fora do Velho Continente. Ao mesmo tempo, a vitória da França e da Inglaterra, na Líbia, aumentou a divisão e aprofundou o cisma alemão dentro da Otan. Por outro lado, os governos conservadores europeus estão em queda livre, e sua alternativa social-democrata não tem mais nenhuma identidade ideológica. Os intelectuais batem cabeça e a juventude busca novos caminhos um pouco sem rumo. O próprio ideal da unificação europeia tem cada vez menos força, entre as elites e dentro de sociedades em que se dissemina a violência e a xenofobia. Parece iminente o fracasso europeu.

No final do século XX, enterraram o socialismo, e agora estão jogando na lata do lixo o seu cosmopolitismo liberal

Em tudo isso, chama a atenção que o avanço da catástrofe anunciada venha sendo acompanhado por uma consciência cada vez mais nítida e consensual a respeito das causas últimas, econômicas e políticas, da própria impotência europeia. Do lado econômico, todos reconhecem a falta de um Tesouro europeu com capacidade unificada de tributar e emitir dívidas, junto com um BC capaz de atuar como emprestador de última instância, em todos os mercados, garantindo a liquidez dos atuais títulos soberanos nacionais que deveriam ser extintos e substituídos por um único título publico unificado, para toda a zona do euro. E quase todos já reconhecem a impossibilidade de uma moeda soberana e de um BC eficaz, sem um estado que lhes dê credibilidade e poder real de ação, em particular nas situações de crise. Uma posição que só poderia ser cumprida, neste momento, pela Alemanha, que não quer ou não pode fazê-lo, ou por um estado central que ninguém aceita..

Do mesmo forma, pelo lado político, o aumento da fragilidade e da fragmentação da Europa, vem sendo atribuído pelos analistas, de forma quase consensual, ao fim da guerra fria e à unificação da Alemanha, junto com o aumento descontrolado da UE e da Otan, que passaram da condição de projetos defensivos, para a condição de instrumentos de conquista territorial e expansão da influencia militar e econômica do ocidente, dentro da Europa do Leste, e já agora, também, na Ásia Central e no Norte da África. O alargamento em todas as direções, da UE e da Otan, aumentou suas desigualdades sociais e nacionais e reduziu o grau de homogeneidade, identidade e solidariedade que existia no início do processo de integração, quando ele era tutelado pelos EUA, e tinha um inimigo comum, a URSS..

Agora, quando os analistas da crise europeia se dedicam a traçar cenários futuros, quase todos calculam o tamanho da desgraça em termos estritamente econômicos, em bilhões e trilhões de euros. E pouco se fala dos custos intangíveis do fracasso europeu no campo das ideias, dos valores e dos grandes sonhos e símbolos que movem a humanidade. Um verdadeiro impacto atômico sobre duas pilastras fundamentais do pensamento moderno: a crença na viabilidade contratual de um governo ou governança mundial; e a aposta na possibilidade cosmopolita, de uma federação ou confederação de repúblicas, pacíficas, harmoniosas, e sem fronteiras ou egoísmos nacionais. Duas ideias europeias que foram concebidas num continente extremamente belicoso e competitivo, mas que foi o grande responsável pela criação e universalização do sistema de estados nacionais modernos e do próprio capitalismo. Agora os europeus estão experimentando na pele a impossibilidade real de suas utopias, ao tentarem construir um governo cosmopolita e contratual a partir de estados nacionais extremamente desiguais, do ponto de vista do poder e da riqueza.

O problema grave e insanável é que a falência do "contratualismo" e do "cosmopolitismo, deixa os europeus sem mais nenhum sonho ou utopia coletiva. Em poucas décadas, no final do século XX, eles enterraram o seu socialismo, e agora, no início do século XXI, estão jogando na lata do lixo, o seu "cosmopolitismo liberal". E estão deixando o resto do sistema mundial, sem a bússola do seu criador, porque o sistema seguirá em frente, mas o seu "software" europeu está perdendo energia e está se apagando.

José Luís Fiori é professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, e autor do livro "O Poder Global", da Editora Boitempo, 2007. Escreve mensalmente às quartas-feiras.

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Quem eclipsará os EUA?

Por Simon Johnson - Valor Econômico, 22-09-2011

De acordo com Voltaire, o Império Romano caiu "porque todas as coisas caem". É difícil argumentar contra isso como declaração geral sobre declínio: nada dura para sempre. Mas também não é muito útil. Ao considerar, por exemplo, o predomínio americano no mundo atual, seria bom saber quando a ascendência diminuirá - e se os EUA podem fazer alguma coisa para adiar o inevitável.

À época, comentaristas abandonaram todas as esperanças em relação à sobrevivência do Império Romano por centenas de anos, antes de ele finalmente entrar em colapso. Podem os EUA encontrar seu caminho para um adiamento similar? .......SEGUE......

 

Who Will Eclipse America?

Simon Johnson 2011-09-19.

A few years ago, some regarded Japan as having overtaken the US, and Europe, too, was supposedly vying for global economic dominance. Now it's China's turn – and it suffers from the same vulnerabilities that have stymied Europe and Japan..

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Por que os anglo-saxões querem reformar seus bancos?

Soren Seelow, In: Le Monde via UOL Internacional, 24/09/2011 

Guias históricos da desregulamentação financeira, seriam os Estados Unidos e o Reino Unido os novos defensores da regulamentação bancária? Não é o menor dos paradoxos da crise financeira: três anos após a queda dos Lehman Brothers, esses dois partidários do liberalismo se preparam para regulamentar seus sistemas bancários separando parcialmente as atividades de varejo (depósitos e crédito) das atividades de investimento (posicionamento nos mercados). Objetivo: proteger os depósitos dos poupadores dos riscos inerentes à especulação.

Por toda a Europa continental, a ideia encontra dificuldades para pegar. Na França, um país que costuma ser regulamentarista, o modelo dominante continua sendo o do banco universal, abrigando sob um mesmo teto os depósitos dos pequenos poupadores (pouco rentáveis) e as febres repentinas dos mercados (lucrativos, mas arriscados). Nem a crise dos subprimes, nem a das dívidas soberanas questionaram esse dogma ainda. Por que dois países anglo-saxões, entre os mais liberais do planeta, foram tão rápidos em considerar uma profunda reforma de seus sistemas financeiros? Possíveis respostas:

Já em 1993...
Não é a primeira vez que os Estados Unidos tentam colocar um freio nos apetites de seus banqueiros. Foi o que aconteceu após cada crise financeira. ... ... .... ... .... ... 

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Soros e as vacilações da eurolândia (Luiz G. de Mello Belluzzo, Valor Econômico, 04-10-2011)

Paul Krugman e Martin Wolf sobre crise da Zona do Euro  (Mesmo ampliado, com Martin Feldstein) ## Martin Wolf: Como manter o euro vivoValor Econômico [How to keep the euro on the road]

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 00h14
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Quarta-feira , 21 de Setembro de 2011


LIMITES DA REINVENÇÃO E DA IMITAÇÃO

         Hoje faz 223 anos que o filósofo pessimista, Arthur Schopenhauer, morreu. Além de ser pessimista também ficou conhecido por pensar diferente de todas as estruturas lógicas de análise dos filósofos da época (meados do século XIX). Ser diferente é o sonho de boa parte dos seres humanos, mesmo inovando prodigiosamente. Algo de se admirar, seja no campo do pensamento, seja nos exemplos do dia-a-dia...

         Há alguns anos, o governo de Minas Gerais produziu o “Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI) 2007-2023”, por intermédio de uma grande consultoria, que o carimbou com o slogan: “Minas um melhor lugar para se viver”. Logo em seguida, este slogan apareceu como ideia motivadora do governo acriano (2007-2010), com importantíssimas inovações: “Acre: o melhor lugar para se viver na Amazônia”.

       Com o mesmo formato, no bojo das reflexões dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, em 2002, começou a ser amplamente usado a categoria Zona Especial de Interesse Social (ZEIS). Em países africanos se utilizou muita a expressão Zona Econômica Especial (ZES). No Brasil, passou a pulular nomenclaturas adaptadas com zonas, tipo (a) Desenvolvimento de Zona Especial de Negócios, (b) Zona Especial Econômica, (c) Zona Especial de Interesse Histórico, (d) Zona Especial de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, (e) Zona Especial de Desenvolvimento, etc.

Esta última começou a ser utilizada, desde 2005/2006 em alguns programas do governo acriano. Mas, inovativamente, no primeiro semestre de 2010, quando do lançamento formal do processo de implantação da Zona de Processamento de Importações (ZPE) do Acre, foi informado que a mesma seria localizada numa Zona Especial de Desenvolvimento (ZED). A rede mundial de computadores logo ficou instrumentalizada com a afirmação de que ZED era um “conceito criado pelo governador Binho Marques”.

Esses processos de reinvenção ou quase inovação não são fáceis de serem realizados. E, em muitos casos, nem sempre triviais de se entenderem. Ao longo do tempo há muitos exemplos destas coincidências. Por exemplo, teorias muito semelhantes já foram criadas, ao mesmo tempo, de forma completamente independentes. Evidente que a depender dos casos, as interpretações podem não ser tão positivas, até com certa razão.

Mas sempre admiro criatividades ou quase inovações. Semana passada eu precisava fazer algo assim, mas não consegui. Num mesmo período, de três dias, estava programado um conjunto de eventos circunvizinhos: (i) seminário internacional: “políticas estratégicas de inovação e mudança estrutural em um contexto de crescimento e crise”; (ii) seminário sobre os 140 anos da Comuna de Paris; (iii) simpósio: ciência, tecnologia e inovação: visões da jovem academia; e, (iv) marxismo e subjetividade humana.

Por força da trajetória, ou digamos, lock-in, profissional, praticamente fui empurrado para o primeiro evento, no qual estavam acadêmicos de vários países (François Chesnais, Luigi Orsenigo, Gordon Mackerron e muitos bons brasileiros). Havia quem pensasse como Arthur Schopenhauer, incluindo os pessimistas e os fora do padrão. Também estavam presente policy makers do governo da presidenta Dilma.

Na primeira mesa, “Crise financeira e seus impactos nas estruturas produtivas”, foi debatido a situação econômica mundial, envolvendo a inserção do Brasil, com um supertime de palestrantes estrangeiros e nacionais. Embora essa crise na crise já venha sendo debatida intensamente, nos últimos anos, as excelentes observações dos membros da mesa mostraram preocupações com as possibilidades de aprofundamento dos conservadorismos norteamericano e europeu.

Omitindo discussões sobre políticas tecnológicas para biotecnologia, nanotecnologia, complexo da saúde, defesa e energia, chamou atenção as exposições da mesa “Arranjos Produtivos Locais, território e políticas de produção e inovação”, realizadas em grande parte porpolicy makers da burocracia do governo federal. Estes se apresentaram com as concepções de políticas públicas mais avançadas que podemos imaginar.

Poucas pessoas poderiam discordar. Talvez apenas conservadores/reacionários extremados. No entanto, curiosamente, eles deixaram a sensação de que os aparelhos de Estado, incluindo o pessoal burocrático, não estariam em consonância com aquilo que eles imaginariam realizar.

Eu até suponho que eles compreendam perfeitamente o que isso significa, pois são pessoas altamente qualificadas. Fazer grandes políticas numa estrutura de Estado eminentemente liberal é um mistério, claro.

E olha que eles são muito criativos, bem à Arthur Schopenhauer, além de carregarem uma pequena dose de pessimismo, aceitável na lógica da liturgia dos cargos que exercem.

Mesmo que por trás de cada policy maker sempre tenha um acadêmico enrustido que não desgruda, percebe-se que muitas vezes é muito embaraçoso e difícil de ser criativos, dados os obstáculos postos pelo mundo real. Os exemplos de “melhor lugar” ou “zonas especiais” não são fáceis de serem reimitados, ainda que não tenham nenhuma relação com o ineditismo.

In: Jornal Página 20, 21-09-2011

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 00h00
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Terça-feira , 20 de Setembro de 2011


QUE SUBSTITUIRÁ A SOCIAL-DEMOCRIACIA?

por Immanuel Wallerstein

Immanuel Wallerstein afirma: ilusão num capitalismo “humanizado” persiste; converteu-se em crença nos BRICs; perdurará até surgimento de novo projeto transformador

A social-democracia teve seu apogeu no período entre 1945 e o final dos anos 1960. Naquele momento, representou uma ideologia e um movimento que lutaram pelo uso dos recursos do Estado para assegurar alguma distribuição em favor das maiorias, de distintas formas concretas. Expansão dos sistemas de Saúde e Educação. Garantia de níveis de renda ao longo da vida, por meio de programas que atenderam às necessidades dos sem-emprego, particularmente as crianças e idosos. Programas para reduzir o desemprego. A social-democracia prometeu um futuro sempre melhor para as gerações seguintes, algo como a elevação permanente da renda nacional e das famílias. Chamou-se isso de “estado do bem-estar social”. Era uma ideologia que refletia o ponto de vista segundo o qual o capitalismo poderia ser “reformado” e assumir uma face mais hum.... SEGUE...

 

Special report: The world economy Sep 24th 2011

A game of catch-up

 

The shift in economic power from West to East is accelerating, says John O’Sullivan. The rich world will lose some of its privileges

 

 

QUARRY BANK MILL is a handsome five-storey brick building set in the valley of the river Bollin at Styal, a small English village a few miles south of Manchester. It was built in 1784 by Samuel Greg, a merchant, who found profit in supplying cotton thread to Lancashire’s weavers. The raw cotton shipped from America’s slave plantations was processed on the latest machinery, Richard Arkwright’s water frame. Later Greg extended the factory and installed coal-fired steam engines to add to the water power from the Bollin. All this gave a huge boost to productivity. In 1700 a spinster with a pedal-driven spinning wheel might take 200 hours to produce a pound of yarn. By the 1820s it would take her around an hour.

Greg’s mill was part of a revolution in industry that would profoundly alter the world’s pecking order. The new technologies—labour-saving inventions, factory production, engines powered by fossil fuels—spread to other parts of western Europe and later to America. The early industrialisers (along with a few late developers, such as Japan) were able to lock in and build on their lead in technology and living standards.

In this special report

 

 

The “great divergence” between the West and the rest lasted for two centuries. The mill at Styal, once one of the world’s largest, has become a museum. A few looms, powered by the mill’s water wheel, still produce tea towels for the gift shop, but cotton production has long since moved abroad in search of low wages. Now another historic change is shaking up the global hierarchy. A “great convergence” in living standards is under way as poorer countries speedily adopt the technology, know-how and policies that made the West rich. China and India are the biggest and fastest-growing of the catch-up countries, but the emerging-market boom has spread to embrace Latin America and Africa, too.

And the pace of convergence is increasing. Debt-ridden rich countries such as America have seen scant growth since the financial crisis. The emerging economies, having escaped the carnage with only a few cuts and grazes, have spent much of the past year trying to check their economic booms. The IMF forecasts that emerging economies as a whole will grow by around four percentage points more than the rich world both this year and next. If the fund is proved right, by 2013 emerging markets (on the IMF’s definition) will produce more than half of global output, measured at purchasing-power parity (PPP).

 

 

One sign of a shift in economic power is that investors expect trouble in rich countries but seem confident that crises in emerging markets will not recur. Many see the rich world as old, debt-ridden and out of ideas compared with the young, zestful and high-saving emerging markets. The truth is more complex. One reason why emerging-market companies are keen for a toehold in rich countries is that the business climate there is far friendlier than at home. But the recent succession of financial blow-ups in the rich world makes it seem more crisis-prone.

The American subprime mess that turned into a financial disaster had the hallmarks of a developing-world crisis: large capital inflows channelled by poorly regulated banks to marginal borrowers to finance a property boom. The speed at which bond investors turned on Greece, Ireland and then Portugal was reminiscent of a run on an overborrowed emerging economy.

 

Because there is as yet no reliable and liquid bond market in the emerging world to flee to, scared investors put their money into US Treasury bonds and a few other rich-country havens instead. So few are the options that even a ratings downgrade of American government debt in August spurred buying of the derided Treasuries. Indeed the thirst in emerging markets for such safe and liquid securities is one of the deeper causes of the series of crises that has afflicted the rich world. Developing countries bought rich-world government bonds (stored as currency reserves) as insurance against future crises. Those purchases pushed down long-term interest rates, helping to stoke a boom in private and public credit.

Today’s faltering GDP growth is a hangover from that boom and adds to the sense of malaise in the rich world. Many households in America, Britain and elsewhere have taken to saving hard to reduce their debts. Those with spare cash, including companies, are clinging on to it as a hedge against an uncertain future. A new breed of emerging-market multinational firms, used to a tough business climate at home, seem keener to invest in the rich world than most Western firms, which have lost their mojo.

Grandeur and decline

People who grew up in America and western Europe have become used to the idea that the West .......segue..........

O Capitalismo Ocidental Fracassou?

 

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 07h28
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Cura econômica por "sangria" mina perspectivas de crescimento a longo prazo

por PAUL KRUGMAN

NYTimes, In: UOL Internacional20/09/2011 - 00h25

Antigamente os médicos acreditavam que retirando sangue de um paciente eles poderiam purgar os “humores malignos” que seriam os responsáveis pelas doenças. É claro que, na verdade, tudo o que a sangria fazia era debilitar ainda mais o paciente, bem como aumentar a probabilidade de que ele sucumbisse.

Felizmente, os médicos não acreditam mais que submeter um enfermo a sangrias vá torná-lo mais saudável. E infelizmente, muitos dos responsáveis pelas políticas econômicas ainda usam esse método. E a sangria econômica não está apenas infligindo um grande sofrimento, ela está também começando a minar as nossas perspectivas de crescimento de longo prazo.

Eis aqui alguns dados pertinentes: nos últimos 18 meses, o discurso político tanto na Europa quanto nos Estados Unidos tem sido dominado por pedidos de austeridade fiscal. Os defensores dessa ideia nos dizem que, com os cortes de gastos e a redução dos déficits, as nações poderiam restaurar a confiança e promover um renascimento econômico.

E a austeridade tem sido real. Na Europa, nações que enfrentam problemas, como a Grécia e a Irlanda, impuseram cortes rigorosos de despesas, e até mesmo países de economia mais fortes adotaram os seus próprios programas mais suaves de austeridade. Nos Estados Unidos, o estímulo federal modesto de 2009 desapareceu, e os governos estaduais e municipais reduziram os seus orçamentos, de maneira que, de forma geral, nós estamos vendo aqui um deslocamento rumo à austeridade que não é muito diferente daquele presenciado na Europa.

No entanto, é estranho constatar que a confiança não aumentou. Por algum motivo, empresários e consumidores parecem estar bem mais preocupados com a falta de clientes e de empregos, respectivamente, do que tranquilizados pelo moralismo fiscal dos seus governos. E o crescimento parece ter empacado, enquanto que o desemprego permanece em níveis desastrosamente elevados dos dois lados do Oceano Atlântico.

Mas, argumentam os defensores dos maus resultados obtidos até agora, nós não deveríamos nos concentrar mais no longo prazo do que nos sofrimentos de curto prazo? Na verdade, não: a economia necessita de auxílio real agora, e não de resultados hipotéticos daqui a uma década. De toda forma, começam a surgir sinais de que a os “problemas de curto prazo” da economia – problemas estes que estão já no seu quarto ano, e que estão sendo agravados pelo foco na austeridade – estão também influindo negativamente nas perspectivas de longo prazo.

Consideremos, em particular, aquilo que está ocorrendo com a base industrial dos Estados Unidos. Em períodos normais, a capacidade industrial aumenta entre 2% e 3% ao ano. Mas, devido a uma economia persistentemente fraca, o setor industrial está reduzindo, e não aumentando, a sua capacidade. Segundo estimativas do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos), a capacidade industrial dos Estados Unidos é neste momento 5% menor do que era em dezembro de 2007.

Isso significa que se e quando uma recuperação real realmente tiver início, a economia enfrentará obstáculos relativos à capacidade e gargalos de produção mais rapidamente do que deveria. Ou seja, a atual debilidade econômica, que deve-se em parte ao resultado da redução orçamentária, está prejudicando tanto o futuro quanto o presente.

Além do mais, o declínio da capacidade industrial é provavelmente apenas o início de uma série de más notícias. Reduções similares de capacidade provavelmente ocorrerão no setor de serviços – na verdade, tais reduções já podem estar ocorrendo. E, como o desemprego de longo prazo encontra-se no seu patamar mais elevado desde a Grande Depressão, existe um risco real de que muitos dos desempregados passem a ser vistos como não empregáveis.

Ah, e a maior parte do impacto provocado por esses cortes de gastos públicos está recaindo sobre a educação. Por algum motivo, a demissão de centenas de milhares de professores não dá a impressão de se constituir em uma boa forma de garantir um bom futuro.

De fato, quando os sinais crescentes de que a austeridade fiscal está reduzindo as nossas perspectivas futuras são somados às taxas de juros extremamente baixas sobre a divida do governo dos Estados Unidos, é difícil não chegar à surpreendente conclusão: é bem possível que a austeridade fiscal seja contraproducente até mesmo sob um ponto de vista puramente fiscal, já que um crescimento futuro menor significa menor arrecadação fiscal.

O que deveria ser feito? Nós necessitamos de um grande impulso para fazer com que a economia comece a se mover, não em alguma data futura, mas neste momento. Neste instante nós precisamos é de mais gastos governamentais, apoiados por políticas agressivamente expansionistas do Federal Reserve e dos seus congêneres no exterior. E não são apenas economistas intelectuais que estão dizendo isso; lideranças empresarias como Eric Schmidt, do Google, estão dizendo a mesma coisa, e o mercado de títulos, ao comprar dívida dos Estados Unidos a juros tão baixos, está de fato suplicando por uma política econômica mais expansionista.

E, para sermos justos, alguns elaboradores de políticas econômicas parecem entender isso. O novo plano de estímulo a empregos do presidente Barack Obama é um passo na direção certa, e alguns membros da diretoria do Federal Reserve e do Banco da Inglaterra – embora não, é triste dizer isso, do Banco Central Europeu – têm recomendado políticas bem mais orientadas para o crescimento.

Entretanto, o que se faz realmente necessário é convencer um número substancial de pessoas com poder político ou influência de que elas passaram os últimos 18 meses seguindo exatamente na direção contrária, e que elas precisam dar meia volta.

Isso não será fácil. Mas, enquanto essa meia volta não ocorrer, a sangria – que neste momento está debilitando ainda mais a nossa economia, e que ao mesmo tempo solapa o futuro econômico do país – continuará.

Economic Bleeding Cure

Austerity is inflicting vast pain now, and killing our future, too.

September 18, 2011

 

The Social Contract, vide coments

PAUL KRUGMAN, September 22, 2011

Paul Krugman: O contrato social

A questão é que todos vivemos em uma sociedade maior e nos beneficiamos por fazer parte dela

NESTA SEMANA, o presidente Barack Obama disse o óbvio: que os americanos ricos, muitos dos quais pagam muito pouco em impostos, deveriam arcar com parte do custo da redução do deficit orçamentário de longo prazo. E republicanos como o deputado Paul Ryan responderam com gritos de "guerra de classes!".
Estimativas mostram que, entre 1979 e 2005, a receita (já contabilizada a inflação) das famílias na faixa do meio da distribuição de renda subiu 21%. Enquanto isso, no mesmo período, a receita dos muito ricos subiu 480%.
Os ricos lhe parecem ser vítimas de uma guerra de classes?
Para sermos justos, discute-se até que ponto políticas governamentais foram responsáveis pela espetacular disparidade de aumento de renda. O que sabemos ao certo, no entanto, é que essa política tem consistentemente beneficiado os ricos em oposição à classe média. ....SEGUE.....

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A economia enquanto ciência 1-4

 

 

A economia enquanto ciência 2-4

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Sen. Vanessa Grazziotin quer homenagear Celso Furtado pela visão que o economista teve do país[aqui]

Sen. Cristovam Buarque identifica desafio intelectual na atuação do economista nos dias de hoje

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 07h20
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Segunda-feira , 19 de Setembro de 2011


DIREITO x ECONOMIA

Os desafios da interdisciplinaridade em Direito & Economia

Heloisa Lopes Borges Esteves e Maria Tereza Leopardi Mello (Instituto de Economia/UFRJ)

SEMINÁRIO DE PESQUISA - Nesta terça-feira, 20 de setembro, às 16:30, Heloísa Borges (ANP e doutorada pelo IE/UFRJ) e a profª. Maria Tereza Leopardi de Mello (IE/UFRJ) falam sobre “Os Desafios da Interdisciplinaridade em Direito e Economia”. Local: sala 102 do IE, Av. Pasteur, 250

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THE TRIUMPH OF CAPITALISM: Jobless Nations

By Prof. John Kozy - Global Research, September 18, 2011

The Obama administration is intent on applying supply side principles to get the American economy out of the present recession, but supply side principles are based on the belief that if the government cuts taxes on the wealthy, they will invest their savings in new factories, that newly hired workers will increase employment, and that more output will increase tax receipts. But there is no way to make sure the wealthy actually invest their wealth in productive enterprises, especially in the U.S. ...SEGUE...

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 23h38
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Sábado , 17 de Setembro de 2011


NO ES ECONOMÍA, ES IDEOLOGÍA

por Jorge Fabra Utray e Juan Ignacio Bartolomé Gironella, EL PAIS, 17/09/2011 -http://www.economistasfrentealacrisis.com

El 9 de mayo de 2010 la mayoría conservadora representada en la reunión del Ecofin impuso a España, bajo el argumento de la consolidación fiscal como vía para prevenir situaciones de insolvencia, una política fiscal restrictiva que en la coyuntura actual es procíclica y contractiva. Se puso la atención no sobre el nivel de deuda pública, que constituye la referencia real de la solvencia financiera de los Estados, sino sobre el saldo presupuestario, una variable anual bajo la gestión y el control de los Gobiernos y de los Parlamentos nacionales. ...SEGUE...

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Más dura será la recaída

 

La amenaza de segunda recesión planea sobre las grandes economías y sobre España; 

 

CLAUDI PÉREZ - Madrid - 11/09/2011

 

Adónde huye el denero?

 

La crisis ha dinamitado muchos de los activos considerados como seguros - Los inversores huyen al oro y a la deuda de EE UU y Alemania

 

DAVID FERNÁNDEZ 11/09/2011

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El lento despertar de la América progresista

Un millar de personas se manifiesta en Wall Street inspirados por el 15-M español

Bárbara Celis - Nueva York - 17/09/2011 (EL PAIS)

Para millones de personas afectadas por la crisis económica mundial, existe un lugar que simbólicamente representa el por qué de todos sus problemas: Wall Street. Para los estadounidenses además tiene especial significado porque está en su territorio y es la arteria principal del corazón financiero de Nueva York, donde laten algunos de los bancos e instituciones financieras más poderosas del mundo, a cuyas arcas fueron a parar millones de dólares del erario público para salvar al país del colapso económico entre 2008 y 2009. Tres años después de un rescate que no ha mejorado ni un ápice la economía estadounidense y en la misma semana en que el censo ha arrojado el espeluznante dato de que el 15% de los estadounidenses (casi 50 millones de personas) vive por debajo del índice de pobreza, Wall Street aspiraba a convertirse hoy en 'la puerta del sol' de Nueva York. ...SEGUE...

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#OccupyWallStreet: Searching for Hope in America

 

 

How Do You Say ‘Economic Security’?

By THEODORE R. MARMOR and JERRY L. MASHAW; September 23, 2011

IN the face of nothing but bad economic news, Americans often take heart in remembering that we have been here before — during the Great Depression, when conditions were far worse than they are today — and we survived.

But there is a crucial difference between then and now: the words that our political leaders use to talk about our problems have changed. Where politicians once drew on a morally resonant language of people, family and shared social concern, they now deploy the cold technical idiom of budgetary accounting.

This is more than a superficial difference in rhetoric. It threatens to deprive us of the intellectual resources needed to address today’s problems.

Turn back the clock to June 1934. Millions of Americans are out of work, losing their homes and facing more of the same. President Franklin D. Roosevelt responds by creating the Committee on Economic Security. To Congress, he stresses that he places “the security of the men, women and children of the nation first.” All Americans, he emphasizes, “want decent homes to live in; they want to locate them where they can engage in productive work; and they want some safeguard against misfortunes which cannot be wholly eliminated in this man-made world of ours.” .......SEGUE......

 

ORIGEM DA CRISE by J. Oreiro

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 22h21
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ORIGEM, CAUSAS E IMPACTO DA CRISE

[série de artigos feitos por renomados economistas brasileiros e estrangeiros convidados pelo Valor para discutir a crise financeira internacional e avaliar seus possíveis desdobramentos]

Por José Luis Oreiro, Valor Econômico, 13-09-2011

A crise financeira de 2008 foi a maior da história do capitalismo desde a grande depressão de 1929. Começou nos Estados Unidos após o colapso da bolha especulativa no mercado imobiliário, alimentada pela enorme expansão de crédito bancário e potencializada pelo uso de novos instrumentos financeiros, a crise financeira se espalhou pelo mundo todo em poucos meses. O evento detonador da crise foi a falência do banco de investimento Lehman Brothers no dia 15 de setembro de 2008, após a recusa do Federal Reserve (Fed, banco central americano) em socorrer a instituição. Essa atitude do Fed teve um impacto tremendo sobre o estado de confiança dos mercados financeiros, rompendo a convenção dominante de que a autoridade monetária norte-americana iria socorrer todas as instituições financeiras afetadas pelo estouro da bolha especulativa no mercado imobiliário.

O rompimento dessa convenção produziu pânico entre as instituições financeiras, o que resultou num aumento significativo da sua preferência pela liquidez, principalmente no caso dos bancos comerciais. O aumento da procura pela liquidez detonou um processo de venda de ativos financeiros em larga escala, levando a um processo Minskiano de "deflação de ativos", com queda súbita e violenta dos preços dos ativos financeiros, e contração do crédito bancário para transações comerciais e industriais. A "evaporação do crédito" resultou numa rápida e profunda queda da produção industrial e do comércio internacional em todo o mundo.

Com efeito, no último trimestre de 2008 a produção industrial dos países desenvolvidos experimentou uma redução bastante significativa, apresentando, em alguns casos, uma queda de mais de 10 pontos base com respeito ao último trimestre de 2007. Mesmo os países em desenvolvimento, que não possuíam problemas como seus sistemas financeiros, como o Brasil, também constataram uma fortíssima queda na produção industrial e no Produto Interno Bruto (PIB). De fato, no caso brasileiro, a produção industrial caiu quase 30% no último trimestre de 2008 e o PIB apresentou uma contração anualizada de 14% durante esse período.


As bolhas e a fragilidade financeira nasceram do capitalismo neoliberal adotado a partir dos anos 70.


Os governos dos países desenvolvidos responderam a essa crise por meio do uso de políticas fiscal e monetária expansionistas. O Fed reduziu a taxa de juros de curto prazo para 0% e aumentou o seu balanço em cerca de 300% para proporcionar liquidez para os mercados financeiros nos EUA. Políticas similares foram adotadas pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco do Japão. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama conseguiu aprovar uma expansão fiscal de quase US$ 800 bilhões para estimular a demanda agregada. Na área do euro, os governos foram liberados das amarras fiscais do Tratado de Maastricht, sendo autorizados a aumentar os déficits fiscais além dos limites impostos pelo Tratado em consideração. Esforços similares foram realizados no Reino Unido e nos países em desenvolvimento.

Na China, por exemplo, o governo aumentou o investimento público - fundamentalmente em infraestrutura - em mais de US$ 500 bilhões com o intuito de manter uma elevada taxa de crescimento econômico. No Brasil, a expansão fiscal começou antes da expansão monetária devido a um "comprometimento irracional" do Banco Central (BC) com um regime de metas de inflação muito rígido. Nesse contexto, o governo Lula aprovou um pacote de estímulo fiscal no fim de 2008, constituído de aumento do investimento público, redução de impostos e aumento do salário mínimo e do seguro desemprego. A redução da taxa de juros começou apenas em janeiro de 2009, após o colapso da produção industrial e da disseminação de rumores quanto a possível demissão do presidente do BC. Como resultado da demora no relaxamento na política monetária, o PIB declinou 0,7% em 2009.

Apesar da forte queda da produção industrial e do PIB tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, a severidade da crise de 2008 ficou muito aquém dos resultados catastróficos verificados na década de 1930. No fim de 2009, a economia americana começou a apresentar sinais positivos de recuperação, apontando para um crescimento modesto em 2010. França e Alemanha saíram da recessão técnica em meados de 2009, o mesmo ocorrendo com o Reino Unido no último trimestre desse ano.

Os países em desenvolvimento tiveram um desempenho econômico muito superior ao dos países desenvolvidos durante a crise. O crescimento econômico da China foi de 8,5% em 2009, mostrando uma pequena redução com respeito a 2008, quando a economia cresceu 9%. A performance econômica da Índia também foi boa. Após uma expansão de 7,3% do PIB em 2008, o crescimento foi reduzido para 5,4% em 2009. A performance econômica do Brasil durante a crise não foi tão boa como a da China e da Índia. Após um crescimento robusto de 5,1% em 2008, o PIB caiu 0,7% em 2009. Em 2010, contudo, a economia brasileira apresentou uma forte recuperação, apresentando um crescimento econômico superior a 7%. Entre os Brics, apenas a Rússia apresentou uma queda forte do nível de atividade econômica.


O regime de crescimento "wage-led" foi substituído por um "finance-led".


Com efeito, o PIB da Rússia caiu 7,5% em 2009, após um crescimento de 5,6% em 2008.

A intensidade da crise financeira de 2008 coloca duas questões fundamentais para os economistas e formuladores de política econômica. A primeira questão se refere às origens da crise. A segunda se refere às consequências dessa crise para a economia mundial. Sobre essas questões se formou uma "sabedoria convencional", a qual será detalhada na sequência, mas que apresenta respostas essencialmente incorretas para as mesmas.

No que se refere à primeira questão a "sabedoria convencional" afirma que a crise financeira de 2008 foi apenas o resultado de uma regulação financeira inadequada, combinada com uma política monetária muito frouxa conduzida pelo Fed durante a administração Greenspan. Se assim for, então não será necessária a implementação de políticas que revertam a tendência ao aumento da desigualdade na distribuição de renda nos países desenvolvidos, verificada nos últimos 30 anos. Uma mudança limitada na regulação financeira e a redefinição do regime de metas de inflação de maneira a incluir a estabilização dos preços dos ativos financeiros como um dos objetivos da política monetária, por intermédio de uma espécie de "regra de Taylor ampliada", seria suficiente para evitar uma nova crise financeira no futuro.

No que se refere à segunda questão, a "sabedoria convencional" estabelece que a crise de 2008 foi apenas um desvio temporário no curso normal de eventos (um momento Minsky), de tal forma que, no futuro próximo, as economias capitalistas irão retomar a trajetória de crescimento observada antes da crise. O crescimento mundial poderá ser novamente puxado pela expansão de crédito nos Estados Unidos e a política econômica poderá voltar a ser conduzida com base no assim denominado "novo consenso macroeconômico", o qual estabel ....SEGUE....


CRESCIMENTO SEM MUDANÇA ESTRUTURAL?

por José Luis Oreiro A retomada do crescimento a taxas robustas e de forma sustentada ao longo do tempo exige um aumento da participação da indústria no PIB Valor Econômico - 23/10/2012

Keynes: The Sunny Economist By SYLVIA NASAR Sept 17, 2011 ## Reviews por Robert Solow ## BOOKS OF THE TIMES: The Economist’s Progress: Better Living Through Fiscal Chemistry By MICHIKO KAKUTANI - December 1, 2011

Entre a esperança e o espectro da revolução por Roger Lowenstein | Da Bloomberg Businessweek Valor Econômico, 18/10/2011

ADEUS À REGRA TAYLOR E BEM-VINDA A REGRA ROUSSEFF

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 06h26
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CRÍTICA CIÊNCIA - cifras & letras - EQUAÇÕES

Livro explica a teoria da relatividade a Cameron Diaz

Com didatismo e referências pop, autor disseca equações matemáticas

O AUTOR CLASSIFICA A EQUAÇÃO MAIS FAMOSA DE EINSTEIN COMO "A EQUAÇÃO CELEBRIDADE"

MARCELO SOARES - DE SÃO PAULO, Folha, Caderno Mercado, 17set2011

Uma pulga devora a orelha do filósofo e historiador da ciência Robert P. Crease: por que raios um cidadão culto sente-se obrigado a conhecer a obra de Shakespeare mas não a segunda lei da termodinâmica?
Em "As Grandes Equações" (Zahar), Crease desvenda a humana ciência de como se desenvolveram as ciências derivadas da matemática. Ao fazê-lo, explica conceitos sofisticados de maneira tão didática que, segundo o autor, até a atriz Cameron Diaz poderia entender.
Crease busca exemplos da cultura pop para aproximar os conceitos do leitor. Ele classifica a equação mais famosa de Einstein como "a equação celebridade" -todos sabem que existe, mas poucos de fato a conhecem.
Demonstra isso com o "causo" de uma entrevista em que a atriz teria dito querer saber o que significa E=mc2.
As equações foram escolhidas após uma enquete feita em 2004 com os leitores da coluna de Crease na revista "Physics World".
Cerca de 50 equações foram propostas pelos leitores. Dez entraram -o que garantiu espaço, ainda que no prefácio, para o 1+1=2, indicado por alguns como um momento de epifania matemática.
O fascínio dessas equações tem origem na aventura da descoberta, já que elas surgem para responder a inquietações mentais, diz o autor.
"Depois que alguém inventa uma equação sobre algo fundamental (...), nós e o mundo mudamos", afirma.
A estrela do primeiro capítulo, o teorema de Pitágoras, foi uma das ferramentas de Albert Einstein para notar uma das consequências da teoria da relatividade: a equivalência entre massa e energia, que sugeriu a possibilidade (explosiva, como se viu) de converter uma na outra.
A relatividade, por sua vez, veio cutucar contradições entre as leis do movimento de Isaac Newton e as equações em que James Clerk Maxwell postulou a existência de campos elétricos -agradeça a ele se estiver lendo agora num tablet, com internet sem fio.
Os personagens da história das equações não são menos fascinantes do que a própria aventura da descoberta.
Pitágoras sistematizou seu teorema praticamente isolado (ainda que sábios de outras latitudes chegassem a soluções semelhantes) e Newton propôs a gravitação universal subvertendo ideias de um rival sobre a atração de corpos muito menores.
Para contar a descoberta da segunda lei da termodinâmica -crucial para a Revolução Industrial-, Crease faz breves perfis ilustrados dos protagonistas da trama.
Entre os capítulos, o autor faz interlúdios para coçar sua pulga de estimação: a divisão das ciências -que crê arbitrária e, sugere, preguiçosa- entre "humanas" e "exatas".
Crease, que leciona história e filosofia na universidade Stony Brook, em Nova York, critica a resistência dos humanistas em dar aos impactos da ciência e da tecnologia importância semelhante à das guerras. Compara essa miopia à situação do enfermo que ignora a doença.

AS GRANDES EQUAÇÕES; AUTOR Robert P. Crease; EDITORA Zahar; QUANTO R$ 39,90 (280 págs.); AVALIAÇÃO Ótimo

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O Nascimento de Uma Ideia

Infográfico do livro "De onde vem as ideias"

LANÇAMENTOS:

Taxa de Câmbio no Brasil: Estudos de Uma Perspectiva de Desenvolvimento Econômico
Marcio Holland e Yoshiaki Nakano (org.); 
EDITORA Elsevier

HISTÓRIA ECONÔMICA
Grand Pursuit: The Story of Economic Genius
Sylvia Nasar

EDITORA Simon & Schuster; PREÇO US$ 35 (576 págs.)
A autora de "Uma Mente Brilhante" faz um apanhado histórico da economia moderna em uma narrativa que traz para primeiro plano a vida de influentes economistas, de Keynes e Marx (que supostamente nunca visitou uma fábrica) a Beatrice Webb, que criou a London School of Economics.

Reviews por Robert Solow

 

 

BIOGRAFIA: At Home With Karl Marx

LOVE AND CAPITAL

Karl and Jenny Marx and the Birth of a Revolution

By Mary Gabriel - Illustrated. 707 pp. Little, Brown & Company. $35

 

"I first encountered the Marx family story in the back of a London magazine,” Mary Gabriel writes in the opening line of her intimate account of Karl Marx and his family. It is not a reassuring start for the reader, particularly when the publisher promises a book that uncovers “the unyielding love that bound together a man and woman in the midst of history’s whirlwind.” Gabriel should try to have whoever came up with that one fired. ...SEGUE....


Keynes: The Sunny Economist By SYLVIA NASAR Sept 17, 2011

FOR someone who’s been dead for 65 years, John Maynard Keynes has amazing presence. Open a paper, click on a blog or TV, and, voilà, like Waldo, he’s everywhere. The British economic oracle — whose boyhood nickname Snout should tell you that a pretty face isn’t why he’s hot — gets more Google hits than Leonardo DiCaprio. Gov. Rick Perry of Texas apparently got so fed up with the old scene stealer that he interrupted a recent Republican debate to flash his rivals the news that Keynes was, well, deceased. ...SEGUE...

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 06h05
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Sexta-feira , 16 de Setembro de 2011


A INVENÇÃO DO CONSUMO

por Carla Rodrigues | Para o Valor, do Rio

Tese de doutorado mostra como pesquisa de opinião influenciou na formação do mercado consumidor brasileiro

Valor Econômico, Cultura e Fim de Semana, 16-09-2011

"Formação do Brasil Contemporâneo", clássico do historiador Caio Prado Jr., compõe, ao lado de "Casa Grande e Senzala", de Gilberto Freyre, e de "Raízes do Brasil", de Sérgio Buarque de Holanda, a trilogia de livros que "inventaram" o Brasil. São trabalhos publicados entre 1933 e 1942, momento de início do que viria a ser uma rápida transição entre um país rural e agrário para um país urbano e industrial. Por "invenção" entenda-se a fina capacidade de perceber como determinados processos históricos explicam problemas e desigualdades nacionais. "Inventar" não quer dizer criar um Brasil que não existe, mas, a partir de uma certa compreensão de dados históricos, propor uma forma de pensar o país. A invenção do consumo segue por esse caminho: se o consumo faz parte da vida e da economia das sociedades, o que teria sido inventado no Brasil dos anos 1950? A fina percepção, fornecida por pesquisas de opinião, de que determinados hábitos, comportamentos e práticas de consumo poderiam ser modificados a fim de estimular o processo de modernização do país. ...SEGUE...

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 08h32
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O PRIMEIRO BENJAMIN

Primeiros textos de Walter Benjamin são publicados no Brasil em edição comentada, fechando lacuna no estudo do pensador alemão
Por Diego Viana | De São Paulo

Valor Econômico, Cultura e Fim de Semana, 16-09-2011

O recém-lançado livro "Walter Benjamin: Escritos sobre Mito e Linguagem (1915-1921)" (Editora 34, 231 págs., R$ 37,00) tem como missão anunciada fechar uma lacuna. Apesar da influência de que goza o pensador alemão no Brasil (e na América Latina), seus textos de juventude jamais foram publicados sistematicamente no país. Organizado por Jeanne-Marie Gagnebin, professora de filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e de teoria literária na Universidade de Campinas (Unicamp), o livro reúne desde o ensaio escrito aos 23 anos sobre "Dois Poemas de Friedrich Hölderlin" (1915) até "Para uma Crítica da Violência" (1921), que confronta os mitos de origem da ordem política na versão teológica e na jurídica. ...SEGUE...

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 08h26
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CONSERVADORISMO MAIS REACIONARISMO

        Hoje e amanhã estará acontecendo a Feira do Imposto Nacional, em mais de quatro dezenas de cidades brasileiras. O evento é patrocinado pelo que se chama de "jovens empresários".

        Essa iniciativa teria algo de muito positivo, à medida que coloca diversos produtos numa quermesse, discriminando todos os itens do preço dos produtos, incluindo, evidentemente, os tributos.

        Mas, por outro lado, esse mesmo movimento impulsiona fortemente o movimento corservador reacionário mundial, simbolizado no Tea Party dos EUA, que busca ganhar a mente da sociedade, em geral, para que os ricos paguem menos impostos, algo que se instituiu no próprio EUA, como bem vem discutindo Paul Krugman, recentemente.

        No Brasil, este conservadorismo reacionário, em nome do povo, está praticamente consolidado, mesmo na cabeça de gente que acha que sabe o que está fazendo. Luta em nome do povo, em favor dos ricos.

P.S.: Não fiz aqui nenhuma observação sobre questão tributária; apenas sobre o sentido do movimento.

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 08h02
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Quinta-feira , 15 de Setembro de 2011


SÉRIES - VALOR ECONÔMICO

        Entre 16 e 29-06-2011, o Jornal Valor Econômico publicou uma série de artigos sobre a conjuntura econômica, com foco nos problemas de câmbio, juros e inflação, feitos por renomados economistas a pedido do jornal. Abaixo, listo os arutores com os respectivos artigos.

(i) Samuel Pessoa - A estabilização incompleta; (ii) Francisco Lopes - Sobre risco cambial, besouros e borboletas; (iii) André Lara ResendeJuros: equívoco ou jabuticaba?; outro => [28-10-2011]; (iv) Luiz Carlos Mendonça de BarrosSucesso econômico criou novos problemas; (v) Fernando J. Cardim de CarvalhoA inflação e o crescimento; (vi) Antonio Delfim NettoA taxa de juro natural e a Amazônia; (vii) Luiz Gonzaga de Mello BelluzzoFinança global e a miséria da macroeconomia; (viii) José Luis Oreiro, com Luiz Fernando de PaulaA escolha de Sofia?; (ixi) Ilan GoldfajnA longa travessia para a normalidade: juros reais no Brasil; (xi) Márcio Holland - A política econômica e a divina coincidência; e (xi) Octavio de Barros - Equilíbrio macro: em busca da perplexidade perdida.

        Nesta semana, o mesmo jornal começou uma nova série, agora para discutir a crise financeira internacional e avaliar seus possíveis desdobramentos. Já foram publicados os artigos listados a seguir:

(a) O pânico de 2008: uma crise evitável, por William C. Handorf (12set2011); (b) Origem, causas e impacto da crise, por José Luis Oreiro (13-09-2011); (c) A crise e o juro: deslocar a curva, por Gustavo H. B. Franco (14set2011); (d) O privilégio exorbitante dos EUA, por Michael Pettis (15-09-2011); (e) O Brasil frente ao recrudecimento da crise internacional, por Marcio Garcia (16-09-2011); Origens da crise e perspectivas futuras, por Carlos da Silva Costa (19-09-2011).

É uma oportunidade incrível para comprendermos, a partir de artigos sintéticos (embora de conjuntura e alguns com gente explicitamente do mercado financeiro), um dos momentos conturbados das economias mundial e brasileira. Essa segunda série não sei quando termina.

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Adeus à regra de Taylor e bem-vinda à regra Rousseff

por Cristiane Alkmin J. Schmidt - Valor Econômico, 22-09-2011

Dilma pressionou politicamente, Mantega forjou um ajuste fiscal e Tombini cedeu ao jogo político. Essa foi a sinalização dada, ainda que possa ter sido uma desafortunada coincidência de pronunciamentos. O fato é que após cinco reuniões com aumentos sucessivos na taxa Selic - que saiu de 10,75%, em dezembro de 2010, para 12,5%, em agosto de 2011-, o Banco Central (BC) a diminuiu para 12%, em 31/08/11, deixando o tripé da política macroeconômica (câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação) ainda mais frágil.

O câmbio, balizado por interferências consecutivas do governo ao longo de 2011, já não era visto há algum tempo como flutuante, diferentemente da percepção de outrora, entre 1999 a 2010. Nas entrelinhas dessas ações, uma possível leitura é que uma "banda cambial" implícita passou a nortear a política cambial do atual governo.

Criou-se um problema de previsibilidade, que reflete na confiança no BC, na expectativa de inflação e na inflação

O superávit fiscal, por sua vez, pelo menos desde setembro de 2010, tem sido construído com base em redução de investimento, contabilizações duvidosas (capitalização da Petrobras) e aumento de receitas extraordinárias (exemplo: receita de R$ 6 bilhões da Vale). Sem mencionar que um governo que gasta (ao redor de) R$ 1 trilhão se vangloriar em deixar de gastar (com receitas extras) R$ 10 bilhões e chamar esse fato de ajuste fiscal, parece estranho.

Com isso, mesmo que a "foto" dos números pareça bonita, a dinâmica do superávit primário gera desconfiança acerca do "filme" da sua evolução futura. Em parte porque algumas despesas, como as transferências de renda (exemplo: Bolsa Família) e subvenções econômicas (exemplo: Minha Casa, Minha Vida) são promessas de campanha e, por isso, devem apresentar maior peso em 2012, além dos investimentos relativos aos compromissos da Copa do Mundo e da Olimpíada. Todos importantes, mas que podem levar a foto brasileira a vir a se assemelhar com a feia aparência de países europeus, se não houver corte em outras despesas em custeio.

Os pronunciamentos do governo ostentando "austeridade fiscal", ainda que bem-vindos, têm sido vistos com descrença. Por que não estabelecer um compromisso crível com a sociedade com metas fiscais de longo prazo?

Resta o sistema de metas de inflação. Nesse arcabouço, o único objetivo do BC (artigo 2º do decreto nº 3088, de 21/06/99) é alcançar uma meta previamente definida, hoje em 4,5%. Naquele decreto, vale dizer, diferentemente do Fed, o banco central americano, nada é dito sobre metas de emprego ou de crescimento do PIB.

Como o BC não fixa preços (de forma geral), seu trabalho é coordenar as expectativas dos agentes para, assim, controlar a inflação. O trinômio reputação-credibilidade-transparência torna-se fundamental para ancorar ditas expectativas e o principal instrumento para alcançar aquele objetivo é a Selic. Nesse contexto, a regra de Taylor é um dos modelos utilizados para inferir qual seria essa meta (função de reação do BC). Grosso modo, ela diz que a Selic deve variar positivamente quando a inflação esperada estiver acima da meta ou quando a demanda efetiva estiver acima do produto potencial.

Como a inflação esperada está acima da meta e como o mercado de trabalho segue pujante, ainda que a economia esteja dando sinais de desaquecimento, a maioria dos economistas previa uma manutenção da meta-Selic e não uma queda - pior, de 50 pontos-base. A justificativa do Copom teve como pano de fundo as incertezas quanto à deterioração no quadro internacional, que, supostamente, levará o Brasil a uma recessão nos moldes de 2008. O cenário externo, principalmente o da Europa, de fato não é bom. Mas daí a mudar radicalmente a rota (com significativo corte na Selic e viés de baixa, segundo a ata da 161ª reunião do Copom) é questionável, não só porque uma recessão como a de 2008 é improvável que ocorra, mas, principalmente, porque a inflação segue alta (embora, segundo consta na ata, o BC entenda que ela, no acumulado 12 meses, passe a decrescer a partir deste trimestre e a convergir tempestivamente).

Criar reputação é difícil e leva tempo, mas destruí-la é fácil e rápido. A credibilidade no BC, que já estava abalada (pois as expectativas com respeito à meta já haviam se descolado de 4,5%), levou um choque negativo, até mesmo pelo extenso e não usual comunicado quando da divulgação de sua decisão, como se estivesse se desculpando. Criou-se, então, um problema de previsibilidade, que reflete na confiança no BC, que, por sua vez, reflete na expectativa da inflação e que, por fim, reflete na inflação real.

Com uma inflação acumulada, em 12 meses, em 7,23% e a de serviços, em 8,92%; com um provável aumento nos preços das commodities como álcool e açúcar (quebra de safra) e soja, trigo e milho (seca nos EUA); com aumento real de salário mínimo entre 2012 e 2015 já definido (Lei 12.382, de 25/2/11), sendo o de 2012 em torno de 14%; com os dissídios salariais mirando reajustes acima da meta; com propostas no Congresso como a emenda 29 e PEC 300, que podem aumentar os custeios em 2012 em mais de R$ 25 bilhões; com a queda na arrecadação de R$ 24 bilhões com o Plano Brasil Maior; e com um possível aumento nos salários do funcionalismo do Judiciário - não pareceu prudente a mudança da meta-Selic na reunião de agosto.

Mas, como tudo na vida, o sucesso resulta de uma mistura de competência, esforço e sorte. Resta aos brasileiros conceder o benefício da dúvida e torcer para que o governo conduza a nova política monetária - seguindo a "Regra de Rousseff" - gerando crescimento e queda de inflação ao mesmo tempo

Cristiane Alkmin J. Schmidt é doutora em economia pela EPGE/FGV, professora da FGV e ex-secretária adjunta da SEAE/MF.

 

 

O MUNDO DE PONTA-CABEÇA [+ O Dia D de Dilma (por Marco Aurélio Cabral)]

 

por Luiz Fernando de Paula - Valor Econômico, 23-09-2011

 

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 21h09
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EL VALOR DE LA EDUCACIÓN

por Julián Casanovas, In: El Pais15/09/2011

Cada vez está más claro que nuestra riqueza nacional obtenida en los largos años dorados del boom inmobiliario no fue a parar a la educación. La educación, como podemos comprobar un día sí y otro también, no es una de nuestras glorias nacionales, a diferencia, por ejemplo, del fútbol o, hasta no hace mucho, de los toros. Y aunque los políticos suelen hablar de la educación, la mayoría de ellos no sienten ninguna devoción hacia ella y prefieren, por el contrario, estimular la ignorancia, la burricie y la estupidez.

La educación en España provoca mucho ruido y poco debate. En términos generales, nuestros políticos sienten atracción por el poder, la comunicación, es decir, salir mucho en los medios, y por sus votantes, aunque solo por los más fieles. Como para lograr todo eso no necesitan estudiar, sentir el amor por el conocimiento, la educación les trae sin cuidado. Hablan, eso sí, de formación, pero, en realidad, quieren decir preparación, adquirir crédito profesional a través de un título, ganar dinero fácil y con rapidez. La formación es otra cosa. ...segue...

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 07h07
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EFEITOS DO SUCESSO DA GLOBALIZAÇÃO

por Tony Volpon, Valor Econômico, Opinião

Causa espanto a crise dos Estados Unidos e Europa. Primeiro, por sua extensão, sendo uma crise econômica, financeira, mas também política e social. Segundo, porque as soluções usuais estão falhando. Apesar de cada área representar visões distintas de governança, hoje essa diferenciação parece ser inócua: tanto a resposta social-democrata europeia como a liberal americana parecem inúteis.

Alguns estão vendo esses eventos como uma crise da economia globalizada. Mas é exatamente o contrário: essa é uma crise do sucesso da globalização, especificamente uma globalização chinesa.

A globalização engloba um processo em que novas tecnologias permitem uma dispersão do processo de produção, criando complexas cadeias de ofertas ("supply chains") que exploram as menores vantagens competitivas. Esse processo permitiu quebrar um padrão de produção onde a adição de valor agregado via processos intensivos de tecnologia ficavam restritos aos países desenvolvidos, com os países em desenvolvimento sendo basicamente exportadores de matérias primas.

A situação distinta que vivemos hoje é resultado da coincidência da aplicação de novas tecnologias ao processo produtivo e a abertura econômica chinesa. A abertura chinesa proveu ao sistema econômico mundial uma vasta, disciplinada e barata mão de obra para realizar todo o potencial das novas tecnologias.

Essa reordenação da estrutura produtiva quebra o "pacto social" entre trabalhadores e a classe dirigente nos países desenvolvidos. Agora os interesses das elites desses países estão mais alinhados com os interesses dos países em desenvolvimento, e não com o trabalhador do seu país que por décadas se acostumou com um crescente padrão de vida fruto do seu lugar privilegiado na economia global. Apesar das grandes diferenças entre a Europa e os Estados Unidos, essas duas sociedades utilizaram o mesmo expediente para enfrentar as consequências dessas mudanças: o endividamento...segue...

 

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Does America have a flawed pattern of growth?
For over two decades, growth has depended on asset bubbles and rising indebtedness. Business cycle recoveries have been marked by jobless recoveries and stagnant wages for most Americans. 
The only way to escape this defective pattern, argues Thomas Palley (<= Semin Rio, 2010),  is to correct the problems in the macro economy. Join Dr. Palley to discuss these issues and his new paper, "America's Exhausted Paradigm: Macroeconomic Causes of the Financial Crisis and Great Recession" (2009) + other version.

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Professor Gary Dymski reflects on President Obama's priorities and next steps

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Ilene Grabel (blog: Triple Crisis):IMF seeks new image but has one set of policies for rich countries and another for the poor

NOT YOUR GRANDFATHER’S IMF: GLOBAL CRISIS, ‘PRODUCTIVE INCOHERENCE’ AND DEVELOPMENTAL POLICY SPACE by Ilene Grabel (2011)

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Autopsia de la incertidumbre

A los tres años de la caída de Lehman Brothers, muchos aún se preguntan: ¿cómo pudo fracasar el sistema bancario internacional, sobrefinanciando sectores enteros? La respuesta reside en una sola palabra: derivados

Emilio Trigueros, El Pais, 15/09/2011

Hoy se cumplen tres años de la quiebra de Lehman Brothers, que marcó el estallido de la crisis que todavía domina nuestras vidas: aunque durante las cíclicas tempestades mediáticas se vuelve imposible asimilar el relampagueo críptico de la jerga financiera, ha transcurrido suficiente tiempo para que la perspectiva haga más sencillo entender el encadenamiento de los hechos.

La sinopsis resulta cinematográfica. Planteamiento: desde principios del siglo XXI, la masiva industrialización asiática acumula un fuerte exceso de dólares y euros en países exportadores cuyos Gobiernos fomentan esa acumulación. Trama: la banca internacional dispara su volumen de negocio, trasladando ese ahorro excedentario hacia nuevas inversiones, en forma de financiación barata. Nudo: maximizando beneficios a corto, los banqueros mundiales incurren en préstamos erróneos; cuando esto se evidencia (al caer Lehman Brothers), y nadie sabe cuántos "malos préstamos" esconde cada banco en su balance, el ahorro global se retira de la circulación interbancaria corriente. Desenlace: como ese ahorro (fondos de inversión, pensiones, etcétera) no se fía de los bancos privados internacionales, pasa a financiar solo a Gobiernos (el pagador más fiable a largo plazo) y son los Gobiernos quienes asumen el riesgo de prestar a los bancos en dificultades, por miedo a que una quiebra encadenada de estos paralice aún más la economía, cuya caída productiva fue comparable a la de una guerra.

Hubo segunda parte. Continuación (2010): el ahorro global se... segue...

 

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 04h52
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Quarta-feira , 14 de Setembro de 2011


ANTES DO ACONTECIMENTO OU FACTUAL

Âncoras de TVs convidam especialistas em política, violência, economia, educação, ou funeral, para analisar acontecimentos e/ou similares, em tempo real, com a presunção de que os comentários destes indivíduos – nestas condições – seriam diferentes de conversas de bares ou de esquina; para os franceses, isto não passa de fantasia. Mas quem não gosta de fantasia.

De toda sorte, mesmo como fantasia, ambos são divertidos e úteis. Sejam comentários de “especialistas” em política, economia, funeral, etc., sejam julgamentos de bêbados e/ou de gente de esquinas.

O impasse entre análise e o tempo dos acontecimentos não se limita apenas à fantasia dos âncoras de TV. Também se assemelha a incontornável defasagem entre teoria (interpretação, apreensão e compreensão dos fenômenos econômicos, sociais e/ou políticos) e a temporalidade da dinâmica do mundo real.

Há muitos debates sobre esta questão, no entanto, ainda estamos longe de uma explicação que seja bem convincente. Uns até acham que teoria e realidade andam lado a lado, quase em tempo real. Outros entendem que há um intervalo necessário para que se possa interpretar e compreender adequadamente os acontecimentos. O saudoso professor Fábio Erber não se cansava de refletir sobre este aspecto em suas considerações em de sala de aula, em 2009 e 2010.

Quase tudo isto para lembrar telegraficamente da relação dinâmica entre ações governamentais e aquilo possível de se avaliar. Nessa perspectiva, o agente público atua numa zona bem diferente do pesquisador, pois enquanto este analisa (corretamente ou não) numa situação ex post, aquele precisa discursar precisamente no instante em que a política está sendo formulada e/ou executada, no limite, quase no ex ante.

Senão vejamos. Em fevereiro último, mês do meu aniversário, li a afirmação de que se estava lançando as “bases da industrialização no interior do Estado” (não lembro a autoria da afirmação), no momento em que membros do governo cumpriam protocolo no sentido da instalação de uma fábrica de compensados em Tarauacá, numa parceria entre o governo do estado e o BNDES.

Nós, sempre envolvidos em pesquisas, debates e seminários sobre teoria da firma, política industrial, tecnológica e de inovação, poderíamos, a partir de alguma estrutura de análise, fazer vários comentários sobre a afirmação das bases da industrialização em Tarauacá, neste caso, fundamentada em atividades madeireiras.

Mas, fazer isto, de longe, sem conhecer os detalhes principais desse processo, faz pouco sentido; seria quase como fantasiar em tempo real. Além disso, quem não sonharia ou gostaria de ver o interior do Acre industrializado; talvez algum rondoniense.

No entanto, para não ignorar a fábrica de compensados de Tarauacá, podemos compará-la, retrospectivamente, com a fábrica de tacos de Xapuri, também apoiada pelo BNDES, da qual já se dispõe de um tempo razoável.

Nestes poucos anos daquela fábrica, localizada há cerca 170 km de Rio Branco e mais ou menos 13 Km de Xapuri, seria possível avaliá-la desde as primeiras conversas com o então presidente do BNDES, professor Carlos Lessa, hoje agudo crítico da política do Banco.

Da ideia original, poder-se-ia passar por seu encurvamento realizado pela elite política e por policy makers locais, passando pela aprovação no legislativo, incluindo a entrada de um agente econômico paranaense, até sua instalação. Sem menosprezar, evidentemente, o próprio desfecho da dinâmica do desconjuntamento recente da tríade de sócios, neste ano.

Todos estes pedaços da trajetória da fábrica de tacos de Xapuri, per se, desde a ideia original até seu formato final, já contribuiria bastante pare se compreender o que significa industrializar o interior do estado. Ou seja, combinando um pouco de análise ex post com ex ante, ver-se-ia a fábrica de compensados de Tarauacá como uma imagem colorida do empreendimento instalado em Xapuri, que dispõe, em seu entorno, tanto de lições positivas, quanto de calemburgos oriundos da dinâmica política e do entendimento local sobre desenvolvimento industrial, ao longo de sua implantação.

Talvez, assim, estaríamos analisando o passado recente da fábrica de tacos e, ao mesmo tempo, involuntariamente, compreendendo o futuro da fábrica de compensados de Tarauacá. Isto é, agradando, simultaneamente, quem acha que é possível analisar em tempo real e os que preferem esperar um determinado período de tempo para buscar entender os fenômenos socioeconômicos.


In: Jornal Página 20, 14-09-2011

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 05h24
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Terça-feira , 13 de Setembro de 2011


A CRISE DA IMAGINAÇÃO FISCAL

Por Dani Rodrik, Valor Econômico, 13-09-2011 HereGlobalization Paradox

Bancos gananciosos, ideias econômicas inadequadas, políticos incompetentes: não faltam culpados para a crise econômica em que os países ricos estão enredados. Mas há também algo mais fundamental em jogo, uma falha mais grave do que a responsabilidade de cada um desses tomadores de decisões. As democracias são notoriamente insatisfatórias na produção de consensos críveis que exijam comprometimento político em médio prazo. Tanto nos EUA como na Europa, os custos dessa restrição sobre políticas econômico-financeiras ampliaram a crise - e obscureceram a solução.

Consideremos os EUA, onde os políticos estão debatendo sobre como impedir um duplo mergulho recessivo, reativar a economia e reduzir uma taxa de desemprego que parece empacada acima de 9%. Todos concordam que a dívida pública do país é muito alta e precisa ser reduzida no longo prazo.

Embora não haja solução fácil e rápida para esses problemas, o imperativo de política fiscal é claro. A economia americana precisa de uma segunda rodada de estímulo fiscal em curto prazo para compensar a baixa demanda privada, juntamente com um programa de consolidação fiscal crível de longo prazo.

Por mais sensata que possa ser essa abordagem em duas vertentes - gastar agora, cortar mais tarde -, ela resulta praticamente impossível devido à ausência de algum mecanismo pelo qual o presidente Barack Obama possa, com credibilidade, comprometer a si próprio ou futuros governos a um aperto fiscal. Assim, qualquer referência a um novo pacote de estímulo torna-se um convite aberto para que a direita ataque o governo democrata por sua aparente irresponsabilidade fiscal. O resultado é uma política fiscal que, em vez de melhorar a situação, agrava a enfermidade econômica americana.

Os alemães podem ser desculpados por duvidar que futuros governos gregos ou irlandeses cumpram acordos assumidos pelos líderes atuais. Daí o impasse, e o aprisionamento da zona do euro em um círculo vicioso de endividamento e austeridade econômica.

O problema é ainda mais extremado na Europa. Numa tentativa fútil de conquistar a confiança dos mercados financeiros, país após país foi forçado a seguir as políticas contraproducentes de austeridade como preço do apoio do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu. No entanto, exigir profundos cortes fiscais, privatização e outras reformas estruturais do tipo que a Grécia teve de empreender cria riscos de maior desemprego e recessão mais profunda. Uma das razões pelas quais os spreads nos mercados financeiros permanecem elevados é que as perspectivas de crescimento para os países da zona euro em dificuldades parecem tão débeis.

Aqui, também, não é difícil discernir as linhas gerais de uma solução. Os países mais fortes na zona do euro precisam permitir que esses spreads se estreitem, ao garantir novas dívidas de diversos países - da Grécia à Itália -, por meio da emissão de eurobonds, por exemplo. Em troca, os países altamente endividados devem se comprometer a implementar programas plurianuais para reestruturar as instituições fiscais e melhorar sua competitividade - reformas que podem ser implementadas e dar frutos apenas em médio prazo.

Mais uma vez, porém, isso exige um compromisso crível para com um pacto que estabeleça promessas de ação futura em troca de algo agora. Os políticos alemães e seus eleitores podem ser desculpados por duvidar de que futuros governos gregos, irlandeses, ou portugueses cumpram compromissos assumidos pelos líderes atuais. Daí o impasse, e o aprisionamento da zona do euro em um círculo vicioso de elevado endividamento e austeridade econômica.

As democracias costumam lidar com o problema de obrigar políticos futuros a pactos assumidos anteriormente delegando a tomada de decisões a organismos quase independentes administrados por autoridades isoladas do dia-a-dia da política. Bancos centrais independentes são o exemplo arquetípico. Ao colocar a política monetária sob a responsabilidade de banqueiros centrais aos quais não é possível dizer o que devam fazer, os políticos amarram, efetivamente, suas próprias mãos (e, como resultado, obtêm inflação mais baixa).

Infelizmente, os políticos americanos e europeus não conseguiram mostrar imaginação semelhante no que diz respeito a políticas fiscais. Com a implementação de novos mecanismos para tornar mais previsível a trajetória futura dos balanços fiscais e da dívida pública, eles poderiam ter evitado o pior da crise.

Em comparação com a política monetária, a fiscal é infinitamente mais complexa, envolvendo muito mais concessões mútuas entre interesses conflitantes. Por isso, uma autoridade fiscal independente baseada em modelo semelhante ao de um banco central independente não é viável nem desejável. Mas algumas decisões fiscais e o nível do déficit fiscal, podem ser delegadas a um conselho independente.

Tal Conselho fixaria a diferença máxima entre receitas e despesas públicas à luz do ciclo económico e dos níveis de endividamento, deixando o tamanho geral do setor público, sua composição e as alíquotas tributárias a serem resolvidas mediante debate político. Nos Estados Unidos, o estabelecimento um Conselho baseado em tal modelo em muito contribuiria para restaurar a sanidade da política econômico-financeira do país.

A Europa, por sua vez, para que a zona do euro sobreviva, exige uma iniciativa determinada rumo à unificação fiscal. Eliminar a capacidade dos governos nacionais de incorrerem em grandes déficits e captar empréstimos à vontade é a contrapartida necessária para uma garantia mútua conjunta de dívidas soberanas e termos razoáveis para a tomada de empréstimos hoje.

Mas isso não pode significar que as políticas fiscais da Grécia ou da Itália, por exemplo, venham a ser comandadas de Berlim. Uma política fiscal comum implica que os líderes eleitos na Grécia e na Itália teriam, também, o direito a manifestarem-se sobre as políticas fiscais alemãs. Embora a necessidade de unificação fiscal seja cada vez mais reconhecida, não está claro se os líderes europeus estão dispostos a encarar de frente a exigência última de lógica política. Se os alemães não forem capazes de aceitar a ideia de compartilhar uma comunidade política com os gregos, terão de concluir que a união econômica está praticamente morta.

A política, costuma-se dizer, é a arte do possível. Mas as possibilidades são moldadas tanto por nossas decisões como por nossas circunstâncias. Dado o atual estado de coisas, quando as futuras gerações considerarem nossos líderes sob perspectiva histórica, provavelmente os censurarão, sobretudo, por sua falta de imaginação institucional. (Tradução Sergio Blum)


Dani Rodrik, professor de Economia Política Internacional na Universidade de Harvard, é autor de "The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy (O paradoxo da globalização: a democracia e o futuro da economia mundial). Copyright: Project Syndicate, 2011. www.project-syndicate.org.

 

 

The Crisis of Fiscal Imagination

Dani Rodrik Series, 2011-09-12

Greedy banks, bad economic ideas, incompetent politicians: there is no shortage of culprits for the economic crisis in which rich countries are engulfed. But when future generations place our leaders in historical perspective, they will most likely reproach them, above all, for their lack of institutional imagination.... read

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Dani Rodrik aqui:

À medida que as economias tornam-se mais ricas, a manufatura torna-se menos importante. Mas se isso acontece mais depressa do que os trabalhadores possam adquirir competências avançadas, o resultado pode ser um perigoso desequilíbrio.

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POLÍTICA INDUSTRIAL - THE ECONOMIST (aqui)

 

The global revival of industrial policy [docs.google]

Picking winners, saving losers

Industrial policy is back in fashion. Have governments learned from past failures?
Aug 5th 2010 | PARIS

 

Goodbye Washington Consensus, Hello Washington Confusion? A Review of the World Bank's
"Economic Growth in the 1990s: Learning from a Decade of Reform"

Author(s): Dani Rodrik
Source: Journal of Economic Literature, Vol. 44, No. 4 (Dec., 2006), pp. 973-987
Published by: American Economic Association
Stable URL:
http://www.jstor.org/stable/30032391
Accessed: 21/09/2010 14:58

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 07h54
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CIÊNCIA OU AUMENTO DA INCERTEZA?

Por Antonio Delfim Netto, Valor Econômico, 13set2011
Um velho companheiro, tecnicamente muito bem apetrechado e experiência prática indiscutível (comprovada por seu patrimônio), pelo qual nutro uma amizade e respeito que vêm dos bancos da FEA-USP, desde 1946, observou que tenho exagerado quando afirmo que "a teoria monetária que utilizam alguns competentes economistas ainda não existe". Respondo que talvez, apenas talvez...
Quando olho para os últimos 60 anos, desde quando estudamos, eu e ele, sob a severa vigilância do ilustre professor Dorival Teixeira Vieira, o sólido "Money" (Robertson, D., 1948), da coleção dos Cambridge Economic Handbooks, editada por J. M. Keynes, até o último livro que tive a oportunidade de ler, o sofisticadíssimo "Monetary Theory and Policy" (Walsh, C.E. 3ª edição, 2010), vejo um enorme avanço de modelagem matemática e um tremendo acúmulo de pesquisas empíricas.
Superficialmente, pelo menos, isso deveria negar a minha afirmação. O problema é que, no fundo, o "progresso" teórico e empírico foi apenas a perda contínua da nossa ingenuidade: jogamos fora nossas certezas, construindo novas que foram cada vez mais rapidamente destruídas. Esse movimento, que tem a aparência de um avanço "científico", esconde o que ele realmente foi: apenas um processo de substituir incertezas menores por incertezas maiores.

Apenas um festival de imaginação expressa em linguagem matemática

A primeira ilusão destruída foi a de que podíamos controlar a oferta da moeda (mesmo quando havia dificuldade de saber a que seria funcional para o controle da inflação) através da manipulação dos famosos "multiplicadores". Esses dependiam da decisão da autoridade monetária (a fixação das reservas bancárias obrigatórias), do comportamento do sistema bancário (a escolha da reserva "excedente" que lhe dava conforto) e da disposição do público de dividir sua liquidez entre dinheiro no bolso e depósito bancário.
A primeira era uma ação discricionária da autoridade, tomada provavelmente como reação à forma que ela via a "conjuntura". As outras duas dependiam de como o sistema bancário e os outros agentes econômicos a interpretavam. Em poucas palavras, não era o estado da "conjuntura" que era influenciado pela oferta de moeda, mas essa era resultado daquele. Além do mais, havia uma dúvida razoável se a oferta e a demanda de moeda que estabelecem a taxa de juro eram, mesmo, independentes.
O alívio a essa incômoda situação veio de W. Poole (1970), quando perguntou ao modelo macroeconômico então vigente (IS-LM) o que seria melhor para a estabilização do PIB (com preços fixados): controlar a taxa de juros ou os meios de pagamentos? Comparando as variâncias do PIB sob os dois regimes, ele mostrou que a flutuação do PIB seria menor com o controle da taxa de juros, o que acabou mudando toda a política monetária.
Trabalhos posteriores foram refinando e tornando mais incerta a conclusão simplista, principalmente numa economia aberta com câmbio flexível. A verdade é que ainda não podemos distinguir, por exemplo, se diante de uma alta de juros, ela é produto de um deslocamento para cima da curva de oferta global, ou de um deslocamento para cima dos meios de pagamentos, ou, talvez, de uma combinação dos dois.
Antes da crise de 2007-09, depois de superar a mistificação do século - a teoria das "expectativas racionais" -, o limite superior dos sucessivos "aperfeiçoamentos" da ciência e da política monetárias foi o modelo estocástico dinâmico de equilíbrio geral (DSGE) matematicamente sofisticado, mas de duvidosa utilidade, pois não incorporava o crédito. Uma simplificação desse modelo acabou no regime de "metas inflacionárias" construído com três equações que, implicitamente, supõe que o Banco Central conhece, verdadeiramente, como funciona o circuito econômico e, na prática, exige o conhecimento de variáveis não observáveis.
Depois de 2009, houve uma nova corrida teórica e empírica para incorporar ao DSGE os mercados financeiros, da qual o BC do Brasil participa. Mas mesmo aqui, o processo continua ampliando o número de variáveis não observáveis e o conhecimento de suas variâncias, como se a "estrutura temporal" fosse invariante (ergodica) e as variâncias conhecidas e constantes.
No fundo não se aumentou o conhecimento, mas sim o fingimento escondido na construção imaginária de novos parâmetros com variância estimável para o passado, mas incapazes de extrapolação para o futuro.
Trata-se apenas de uma nova versão da piada dos três náufragos, um físico, um químico e um economista, que numa ilha deserta encontram uma lata de feijão e precisam abri-la. O físico propõe abri-la com um golpe de pedra; o químico propõe esquentá-la e fazê-la explodir sob a pressão interna, ambos com riscos de perder o conteúdo. O economista logo corrige os dois. É simples e seguro, suponham que temos um abridor de latas...
A "ciência" monetária ainda não é. Por enquanto, é apenas um festival de magnífica imaginação expressa em linguagem matemática. Isso implica que devemos tomá-la com cuidado e precaução para o exercício da política monetária, mesmo com o "dernier cri" modelo do nosso Banco Central.

Delfim Netto
Carta Capital, 11 de setembro de 2011
O “mercado” sente-se injuriado! Os arrogantes analistas que tão bem defendem os interesses dos clientes rentistas não perdoam a ousadia do Banco Central de ignorar suas avaliações “científicas” e fazer a baixaria de cortar em meio por cento a taxa básica de juro, contrariando o consenso pacientemente costurado de manter a Selic onde estava, aqueles confortáveis 12,5%.
As afirmações de que o BC abriu mão de sua “independência” ou abandonou o sistema de metas de inflação para atender o governo, além de irresponsáveis ofendem a memória alheia. É interessante como se proclama a independência quando sobem os juros; por que a sensação de perda apenas quando os juros baixaram? A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a taxa básica de juro talvez tenha sido a primeira demonstração em muitos anos de um BC independente perante o sistema financeiro privado, quer dizer, voltar a ser um organismo do Estado brasileiro.
Isso revela que ele observou com cuidado os problemas da economia internacional, foi profundo no exame da deterioração financeira dos países-problema para tomar uma decisão autônoma, diante da convicção que adquiriu sobre os riscos que temos pela frente. A realidade é que a economia mundial está se despedaçando a olhos vistos e o melhor que o BC tem a fazer é procurar se antecipar às consequências de uma dramática redução do crescimento na grande maioria dos países. Essa percepção de que é melhor não esperar acontecer parece ter sido a grande mudança de postura entre o que aconteceu com o BC em 2008 e o que está se processando agora. Naquela ocasião tivemos a oportunidade de fazer um corte radical nos juros, o que teria evitado uma boa parte da queda de crescimento do nosso PIB em 2009. Não o fizemos por um excesso de prudência e também porque não tínhamos as informações que talvez orientassem melhor o BC, como está acontecendo hoje.
A surpresa que tomou conta do tal mercado e produziu a raivosa reação que estamos -vendo hoje foi simplesmente porque muitos autores das análises pretensamente científicas não imaginaram que o BC poderia não obedecer às suas conclusões. Estavam viciados em conduzir o Copom pela coleira, convencidos de que era sua a visão privilegiada do mundo e não tinha probabilidade de erro. O BC agiu certo em não esperar mais para iniciar a redução da taxa básica de juro. As medidas de natureza fiscal e de política monetária adotadas recentemente pelo governo Dilma estão reduzindo a taxa de crescimento do PIB mais depressa do que se esperava. Que efeito se poderia tirar, então, das taxas de juro, ainda? Que controlem a inflação ou derrubem mais o crescimento? Que contenham o consumo e produzam desemprego?
Todos os bancos centrais têm obrigação de observar o nível da atividade e sabem que mudanças na política monetária têm efeitos com defasagens variáveis. Devem olhar, então, não apenas a taxa de inflação futura, mas também para o ritmo de crescimento futuro da economia. E não podem perder de vista a realidade das condições físicas objetivas, que levam ao altíssimo custo social da tentativa de correção de desajustes estruturais, reduzindo o crescimento do PIB à custa do aumento da taxa de juro real, com o que se destrói, por tabela, o equilíbrio fiscal.
Com a piora dos números externos, constatada na última semana de agosto, o Brasil precisa se concentrar em: 1. Reforçar o equilíbrio fiscal de longo prazo, buscando inclusive a aprovação no Congresso das medidas que podem ser votadas já. 2. Manter sob controle as despesas de custeio e melhorar a qualidade do financiamento da dívida pública. 3. Adotar medidas microeconômicas para corrigir os desequilíbrios do mercado de trabalho, o que obviamente não pode ser obtido com manobras de juros.
Isso possibilitará ao BC pros-seguir com persistência a necessária redução da nossa taxa de juro real, abrindo espaço para o investimento público e para a aceleração dos investimentos privados.
XXXXXXXXXXXXX
Por Yoshiaki Nakano, Valor Econômico, 13set2011
O Banco Central (BC) tomou a decisão de reduzir em 0,5 ponto percentual a sua taxa de juros, o que surpreendeu o mercado financeiro. Os seus "porta vozes", por meio da imprensa, falaram em quebra de "protocolo", da "liturgia" e na subversão aos "princípios mais valiosos" do sistema de metas de inflação. Isso teria deixado o mercado "perplexo" segundo a imprensa. Mas, afinal, qual era esse protocolo ou liturgia a que o mercado estava acostumado? Quais eram esses "princípios mais valiosos do sistema de metas de inflação" que o BC teria abandonado?
De fato, o BC, que não tem na sua diretoria atual funcionários de bancos privados, como tivemos nas diretorias anteriores, surpreendeu os tesoureiros e economistas dos bancos privados, que estavam acostumados a uma relação, no mínimo, promíscua. Nessa relação, o Banco Central reagia às expectativas de inflação dos economistas dos bancos privados, materializadas na pesquisa Focus e nas taxas de juros futuras das operações efetuadas pelas tesourarias.
Na véspera das reuniões do Copom, a imprensa fazia a pesquisa informando o Banco Central, qual o aumento ou redução em que a maioria dos bancos e empresas de consultoria apostavam. Lógico que a maioria sempre acertava. Esse era o protocolo ou a liturgia seguidos pelas diretorias anteriores do Banco Central sempre ocupados por funcionários do sistema bancário. Na última reunião de agosto, esse protocolo foi de fato abandonado. Daí a grande surpresa e perplexidade do mercado financeiro. A rigor, o BC finalmente tornou-se independente do mercado.

Banco não tem na sua diretoria atual funcionários de bancos privados, como tivemos nas diretorias anteriores

Nesse protocolo ou liturgia prevaleciam, evidentemente, os interesses dos mercados financeiros. Se as expectativas de inflação e de taxas de juros futuras do próprio mercado financeiro guiavam as decisões do Banco Central, os riscos de erros nas projeções eram minimizados e as possibilidades de ganho maximizadas. Vale lembrar que, no Brasil, o Banco Central fixa a taxa Selic, que é a mesma dos títulos públicos de longo prazo e, que serve de base (CDI) para a fixação das demais taxas de juros ativas e passivas. Assim, a indexação dos ativos financeiros à taxa diária Selic/DI elimina o risco da variação da taxa de juros e, tal "protocolo" entre o mercado e o Banco Central reduzia o risco de erros de expectativas. A dita "perplexidade" do mercado é compreensível, pois agora aumentam os riscos de serem surpreendidos se errarem nas as suas projeções.
Outro aspecto que merece atenção é que muitos economistas de bancos ou de consultorias ligadas ao mercado financeiro imputam a última decisão do Banco Central como subversão das regras ("princípios mais valiosos") da política monetária baseada em metas de inflação. Nada mais longe da verdade. A rigor, o sistema de metas que tínhamos no Brasil, era um arremedo do verdadeiro. Como a variação da taxa de juros tem uma defasagem longa, de seis a 12 meses, para ter efeitos mais relevantes sobre o lado real da economia (demanda agregada) e sobre a inflação, a taxa de inflação relevante, que tem que ser monitorada, é a taxa estimada para os próximos seis a 12 meses. Portanto, o sistema de metas pressupõe um bom sistema de previsão de inflação futura para compará-la com a meta e daí tomar a decisão de mudar a taxa de juros. No Brasil, além de considerarmos a inflação medida e acumulada de doze meses, portanto, referente ao passado, estamos presos à inflação calendário.
Além da inflação passada de 12 meses dificilmente ser uma projeção correta da inflação futura, a não ser por acaso, não consideramos nem mesmo a inflação contemporânea. Se esta for mais relevante para extrapolarmos para o futuro, a taxa de juros deverá ter um comportamento completamente diferente do nosso caso.
Por exemplo, a taxa de inflação de agosto foi de 0,37%, portanto, anualizando temos como taxa de inflação referência 4,5%, coincidindo com a meta. A taxa de juros deveria ser muito menor. Ao utilizarmos a inflação passada de 12 meses como referência, temos que manter a taxa de juros em níveis elevados mesmo que as pressões inflacionárias efetivas tenham desaparecido e a inflação contemporânea esteja dentro da meta. É compreensível que aqueles que ganham com juros elevados defendam os "princípios mais valiosos" da atual regra.
Outro aspecto que chamou a atenção dos "porta-vozes" do sistema financeiro é que o BC não está considerando só a taxa de inflação, mas o crescimento da economia, como se isso fosse um pecado mortal praticado pelo banco. Novamente, isso representa uma ignorância sobre o sistema de metas de inflação ou a defesa de interesses setoriais. O sistema de metas pressupõe que a taxa de juros afeta a inflação por diversos canais, entre eles o da demanda agregada ou o hiato do produto. A taxa de juros não afeta diretamente a inflação. Assim, ao elevar a taxa de juros, o Banco Central pretende eliminar o excesso de demanda ou atingir o hiato zero para assim controlar a inflação.
O Banco Central do Brasil agiu de forma correta se seus estudos técnicos e as projeções de seus modelos indicam tanto a desacel ....SEGUE ÚLTIMO PARÁGRAFO...
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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 06h00
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Segunda-feira , 12 de Setembro de 2011


ENTREVISTA DA 2ª - JOHN NASCH

'Dinheiro ideal' deve ter como base os preços das commodities

TEORIA DO MATEMÁTICO JOHN NASH, PREMIADO COM O NOBEL DE ECONOMIA EM 1994, PROPÕE NOVO ÍNDICE PARA ESTABILIZAR MOEDA INTERNACIONAL

CAROLINA MATOS - ENVIADA ESPECIAL A LINDAU (ALEMANHA) - FOLHA, Mercado, 12set2011

Aos 83 anos, John Nash, ganhador do Nobel de Economia em 1994, é simples e direto ao falar sobre dinheiro. 
O matemático americano enxerga uma dependência tamanha do dinheiro que as pessoas "deixaram de raciocinar" sobre sua eficiência. 
Contra esse processo, ele propõe a criação do "dinheiro ideal", conceito que tem divulgado com serenidade e que o destacou em evento que reuniu em Lindau, na Alemanha, outros 16 premiados com o Nobel de Economia. 
Talvez por ter se tornado mais popular do que a maioria dos premiados após sua história ser retratada no filme "Uma Mente Brilhante" (Ron Howard, 2001), que mostrou sua luta contra a esquizofrenia, o matemático foi o mais assediado por jovens economistas. 
A eles o gênio da Teoria dos Jogos, que introduziu na economia a relevância da interação de dois ou mais indivíduos na tomada de decisões, exibe paciência ímpar para fotos, autógrafos e abraços. 
À Folha, em entrevista exclusiva, ele explica seu conceito de "dinheiro ideal".

 Folha - Em sua teoria do "dinheiro ideal", o senhor propõe uma moeda baseada em um índice composto por preços de commodities. Por quê? 
John Nash -
 A ideia é ter como referência para o valor do dinheiro itens que sejam muito utilizados pela indústria. A primeira publicação dessa teoria foi em 2001. 
Inicialmente, eu havia pensado no ouro, que já foi referência de moedas no passado. Mas hoje seria mais difícil basear uma moeda em ouro porque sua extração é limitada e mais difícil. 
Assim, a melhor solução seria o ICPI (Índice de Preços do Consumo Industrial, na sigla em inglês), que poderia naturalmente ser calculado a partir dos preços do mercado global de itens como cobre e platina, e daria à moeda um valor mais real.

Petróleo e alimentos poderiam entrar nesse índice? E qual seria o peso de cada commodity? 
Sim, a composição do índice poderia levar em conta as commodities mais estratégicas, inclusive as ligadas a energia, e o peso seria diferente, conforme a importância de cada uma delas. 
Amadurecendo a ideia, creio hoje que um tipo de autoridade ou agência poderia estabelecer qualquer versão do "dinheiro ideal". 
Uma possibilidade seria preparar uma agência, concebível como FMI (Fundo Monetário Internacional) ou o Banco Central Europeu, para essa finalidade.

Esse "dinheiro ideal" seria usado para negociação internacional?
Poderia ser usado como o euro. Estamos falando teoricamente, mas poderia ser uma moeda para negociação internacional, dependendo dos países que a adotassem. 
O importante é se levar em conta que, com uma referência, o valor da moeda é mais previsível ao longo do tempo, como foi com o dólar no passado, quando ele tinha equivalência com determinada quantidade de ouro. 
Essa noção de equivalência quantificável favorece contratos de longo prazo nas negociações internacionais, pois é mais fácil prever o valor da moeda no tempo. Se uma moeda não tem estabilidade e confiabilidade ao longo do tempo, isso afeta os negócios e perturba os contratos.

A estabilidade da moeda, então, seria a principal diferença entre o "dinheiro bom" e o "dinheiro ruim"?
Pensando em termos de propósito, a função do dinheiro -de facilitar a transferência de vantagens de um lugar para outro- poderia ser desempenhada tanto pela moeda da Tailândia quanto pela da Suíça. Mas há diferenças em razão da estabilidade de cada moeda, que ficam mais evidentes pensando em contratos de longo prazo. 
Considere uma sociedade na qual o dinheiro em uso está sujeito a uma rápida e imprevisível taxa de inflação, de modo que a unidade que hoje vale 100 possa cair para algo entre 50 e 10 em um período de um ano. Você iria querer empresar dinheiro por um prazo de um ano? 
Assim, é possível ver como a qualidade do dinheiro influencia áreas da economia que envolvem financiamento com créditos de longo prazo.

Assim, qual sua crítica a economistas "keynesianos" [que defendem intervenção maior do Estado na economia]?
Vamos definir "keynesiano" como o termo para descrever uma escola de pensamento que se originou na época da desvalorização da libra e do dólar nos anos 30. 
O ponto é que a visão keynesiana favorece a existência de bancos centrais que manipulam por objetivos de "bem-estar econômico" e estão pouco preocupados com a reputação de longo prazo da moeda nacional, assim como com os efeitos disso na reputação das instituições financeiras domésticas.

O senhor fala em estabelecer a confiança como padrão de cultura de negociação. Como a moeda contribui para isso?
Na minha visão, se houver confiança em relação à previsão de valor de uma moeda, que é um meio de troca, isso favorecerá a formação de contratos de negócios. 
E um padrão geral, seja em um Estado ou em uma zona com regras estabelecidas, irá se tornar efetivamente parte da cultura de negócios, que fica mais favorável.

O senhor já imaginou um nome para a "moeda ideal" e acredita que ela se torne realidade?
Nunca pensei em nenhum nome; dependeria do contexto político de sua criação. É algo teórico. Creio que sua implementação seja de longo prazo, dependendo das autoridades monetárias. 
Historicamente, nos tornamos dependentes do dinheiro, controlados e motivados pelo desejo de termos cada vez mais e não perdermos o que temos. Perdemos a capacidade de raciocinar a respeito do dinheiro, como fazemos em relação a uma tecnologia, para avaliar como esse mecanismo é usado com maior ou menor eficiência. 
O dinheiro existe para transferir vantagens de um lugar para outro. E uma moeda com valor mais estável favorece essa transferência. 

"Nós perdemos a capacidade de raciocinar a respeito do dinheiro, como fazemos com uma tecnologia, para avaliar como é usado com maior ou menor eficiência"

"Se houver confiança na moeda, que é um meio de troca, isso favorecerá os negócios"

NOME - John Nash Jr; IDADE - 83 anos; FORMAÇÃO - Ph.D em matemática pela Princeton University (EUA); NOBEL - Recebeu o Prêmio Nobel de economia em 1994 pela contribuição para a Teoria dos Jogos 

A jornalista CAROLINA MATOS viajou a convite dos organizadores do "4º Encontro de Ciências Econômicas de Lindau".


Fragilidade não ofusca turbilhão de ideias claras

DA ENVIADA A LINDAU

De longe, não se tem ideia de como a mente brilhante de John Nash fervilha de ideias inovadoras. 
A figura do senhor frágil, olhar difuso para a multidão, engana. A demora para responder a pergunta simples ("O senhor aceita água?") também. 
Mas, sempre com a mulher ao lado -ela é um elo de conexão com o mundo cotidiano, alguns alertaram-, o matemático é sereno e paciente, capaz de atender a todos os pedidos de fãs para fotografá-lo. 
No dia da palestra, na qual foi ovacionado, preferiu ler o texto que apresentava nos telões. 
E a leitura pausada revelava nada de vacilante, e sim pensamentos claros, um convite à reflexão. (CM)

 

Nash não gosta de falar sobre esquizofrenia
RICARDO MIOTO
EDITOR-ASSISTENTE DA ILUSTRADA
É difícil fazer John Nash, 83, citar a esquizofrenia. Ele não gosta quando é convidado para falar de matemática e jornalistas perguntam da doença. 
Ele tem motivos: diz ter sido internado contra a sua vontade e obrigado a tomar antipsicóticos nos anos 60. Paranoico, na época Nash se sentia vigiado por uma conspiração mundial, que o fez fugir de cidade em cidade pela Europa e pedir que cancelassem sua cidadania americana -pedido que foi ignorado. Em outros momentos, acreditou ser o imperador da Antártida. 
A doença surgiu aos 30 anos, quando Nash já era um reconhecido professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology). E tinha uma carreira brilhante: em três anos, acabou a graduação e o mestrado em matemática na Carnegie Mellon University. 
Com reputação de maior gênio que já passara pelo lugar, foi disputado por Harvard e Princeton. Fez o doutorado em Princeton. 
Depois, no MIT, destacou-se por usar matemática avançada para estudar economia e biologia. 
Entre crises e recuperações, Nash levou cerca de 20 anos para se livrar da doença. E sua contribuição científica lhe rendeu um Nobel de economia, em 94. 
Sua vida ainda valeu um Oscar de melhor filme, "Uma Mente Brilhante" (2001). Ele gosta da obra e cita a ficção, caso da cena do bar, que mostra Nash tendo a inspiração para criar a Teoria dos Jogos. 

 

 

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 05h56
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Domingo , 11 de Setembro de 2011


A CRISE COMO ELA É

por Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, Carta Capital10 de setembro de 2011 ## ESPERANÇAS E PADECIMENTOS

No crepúsculo dos anos 90, auge do prestígio dos bancos centrais independentes, o senador Phil Gramm, um dos corifeus da desregulamentação financeira, assumiu a presidência da Comissão de Bancos do Senado dos Estados Unidos. Semanas depois de sua posse, o senador Gramm, numa entrevista coletiva, anunciou que pretendia encerrar o sistema de audiências regulares dos presidentes do Federal Reserve nas comissões do Congresso sobre a condução da política monetária.

Essas audiências foram criadas em 1975 e transformadas em lei em 1978, mediante o Humphrey-Hawkins Act.  Essa lei estabelecia os objetivos gerais da política econômica: “O pleno emprego, o crescimento equilibrado e a razoável estabilidade de preços”.

Mais importante é, porém, o ponto levantado por James Galbraith, filho de John Kenneth, em relação à natureza e aos limites da independência do banco central americano. “O Federal Reserve”, diz ele, “é uma criatura do Congresso. Ele está sujeito às leis dos Estados Unidos, incluindo aquelas que estabelecem os objetivos da política econômica. O Fed é uma agência independente, mas nos termos da autonomia estabelecida pelo Congresso. E o Congresso detém o poder, em última instância, de acordo com a Constituição para instruir o Fed, seja por lei, seja mediante resolução”.

Galbraith lamenta que, encorajados por figuras antidemocráticas que se reproduzem entre os economistas, os bancos centrais tenham concentrado sua atenção exclusivamente na questão da estabilidade de preços, abandonando quase que por completo suas responsabilidades nas questões relativas ao investimento, ao crescimento e ao emprego. “Essa atitude priva os governos nacionais dos meios necessários para promover outros objetivos.”

Muita gente sabe, mas alguns esquecem: as políticas monetárias da era liberal (entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX), aquelas que prevaleceram sob o padrão-ouro, tinham como único objetivo garantir o valor externo da moeda. O funcionamento desse regime monetário era compreendido, até mesmo pelos partidos trabalhistas e socialistas, como uma forma “natural” de governança dos mercados autorregulados, imune aos azares e reviravoltas da política. Mas, na verdade, o padrão-ouro era, sim, uma instituição política que exprimia a correlação de forças sociais prevalecente nessa etapa do capitalismo. Sua “reputação” dependia fundamentalmente da hegemonia das classes proprietárias e dominantes, que “confiavam” na ação protetora dos governos, então desobrigadas de cuidar do emprego e dos salários das classes subalternas.  Os anos 20 e 30 do século passado foram sacudidos pela presença cada vez mais incômoda das massas assalariadas e de seus interesses na esfera política. Karl Polaniy chamou esse momento de A Grande Transformação, título de sua obra maior. As políticas econômicas e sociais executadas na posteridade da Segunda Gerra Mundial buscaram equilibrar os impulsos da acumulação privada da riqueza e as aspirações dos homens comuns, a gente que batalha por uma vida digna e sem sobressaltos. Antes considerados criaturas da vagabundagem e da preguiça, o desemprego e a pobreza reconfiguraram seu conceito na consciência social: passaram a ser interpretados como distúrbios e injustiças nascidos das disfunções do mecanismo econômico. A arquitetura capitalista do pós-guerra permitiu durante um bom tempo a convivência entre estabilidade monetária, crescimento rápido e ampliação do consumo dos assalariados e dos direitos sociais.

sonho durou 30 anos e, no clima sombrio da Guerra Fria, as classes trabalhadoras do Ocidente desenvolvido gozaram de uma prosperidade sem precedentes. Mesmo depois da derrocada de 2008, são cada vez mais frequentes as arengas dos economistas contra os “desvios da política”. Os porta-vozes da razão econômica e de seus poderes pretendem enquadrar, de novo, a sociedade na camisa de força do seu movimento autorreferencial. Sintoma de que as forças que controlam a economia contemporânea não estão dispostas a admitir contestações às suas pretensões de domínio e de submissão dos homens ao império da expansão desregrada. Hoje, depois de décadas de predomínio do ideário mercadista, o  cidadão atropelado pelas  erráticas e aparentemente inexplicáveis convulsões da economia não acredita no controle de seu próprio destino. As medidas de combate às crises, por exemplo, são capazes de destruir suas condições de vida, mas o consenso dominante trata de explicar que, se não for assim, a situação pode piorar ainda mais. A formação desse consenso é, em si mesmo, um método eficaz de bloquear o imaginário social e promover a paralisia política, numa comprovação dolorosa de que as formas objetivadas da economia adquirem dinâmica própria e passam a constranger a liberdade de homens e mulheres.

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A MIDIA É PARTE DA CRISE

"O consenso em torno de certas ideias de dominância financeira  -idéias que estão na origem da atual crise-- não seria possível sem a sua vocalização pela mídia. Não se trata de  uma teoria conspiratória, estou dizendo que isso se deu através de um processo social em que as camadas dominantes impõem as idéias dominantes. A gente nunca pode perder essa dimensão da luta social; como ela se desenvolve e como  maneja os símbolos, os significados, as palavras. Tome o exemplo da queda da taxa de juros brasileira. Isso produziu em certas pessoas (da imprensa) uma estupefação; algumas mais estupefação e outras  alguma indignação. As que ficaram mais estupefactas  ficaram assim porque sempre disseram para elas o contrário, que era um perigo, era a ruína . As ideias , como dizia um autor do século XIX,  tem uma força  material -- a força material das idéias dominantes. Dizia o sociólogo Norberto Elias  que é muito mais difícil você desconstruir um consenso como este. Daí  a importância da luta social e política. Ou você  acha que a crise vai ser resolvida mecanicamente por ela mesma? Não vai. É necessário formular alternativas. A solução dita ‘normal' é muito simples, como diz um economista americano, Doug Henwood. Ele tem uma newsletter de nome muito interessante, Left Business Observer , e foi encarregado de escrever sobre Wall Street, antes e depois da crise. É mito fácil, asseverou. Antes da crise Wall Street era o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. Depois da crise, Wall Street continua sendo o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. Qualquer repórter que te entrevista sobre política monetária se ouvir algo diferente do que pontificam esses interesses ele hesita em publicar; quando publica o faz cheio de ressalvas. Esse jornalista foi emprenhado pelo ouvido, durante anos, para perguntar e ouvir a mesma coisa. O problema da mídia  no mundo inteiro é conquistar essa diversidade de pontos de vista. O que aconteceu nos últimos anos é o monopólio de algumas empresas de mídia que veiculam a visão da classe dominante. Eles são a classe dominante. Nos anos 50 e 60 na Europa, por exemplo, você tinha uma mídia diversificada que expressava as posições políticas distintas. As pessoas liam, por exemplo, o Avanti, o La Unitá... Havia debate político. Hoje você não tem debate. Hoje você tem uma farsa' (Luiz Gonzaga Belluzzo no debate ‘Neoliberalismo, um colapso inconcluso', organizado por Carta Maior (12-09-2011). Em breve publicaremos outros trechos do seminário)

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Keynes no mesmo caminho de Marx

por Sérgio Lírio, 23 de agosto de 2011

Na manhã da quarta-feira 17, CartaCapital reuniu Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo para um debate sobre a crise financeira mundial e os impactos no Brasil. Parte da conversa é publicada na edição especial de aniversário que chega às bancas na sexta-feira 19. No site, a íntegra será publicada em três partes. Confira abaixo o primeiro trecho da conversa, em que são abordadas questões como os erros em relação à crise de 2008, a desregulamentação do sistema financeiro e a releitura dos clássicos da economia nos tempos atuais. Veja também as partes 2 (‘Fim da União Europeia é tragédia política’) e 3 (‘Problema cambial hoje é mais difícil’) da conversa. ....SEGUE..... Aqui, mais Delfim e Belluzzo.

Marx tem a chance de salvar a economia mundial

O espírito de Marx, que está enterrado em um cemitério perto de onde eu vivo no norte de Londres, saiu da sepultura por causa da crise financeira e da recessão econômica subsequente.

Por George Magnus [14.09.2011 16h15]

 

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Entrevistas: Ricardo Carneiro; Luiz Gonzaga Belluzzo; Belluzzo (jan2011); 


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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 08h33
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Sexta-feira , 09 de Setembro de 2011


O IMPÉRIO EM SUA GLÓRIA, PELA ÚLTIMA VEZ

João Villaverde, Valor Econômico

Não há dúvida de que está em curso o fim da era de dominação global do Ocidente, iniciada há alguns séculos. Essa é a convicção de um dos mais renomados especialistas em história econômica e financeira, o escocês Niall Ferguson. A perda de posição relativa dos Estados Unidos e da União Europeia no mundo e o impacto desse encolhimento na sua capacidade de influir, econômica e politicamente, é o fenômeno central da análise de Ferguson.

O episódio do 11 de Setembro de 2001 foi o primeiro a sinalizar a fragilidade do "império" americano, depois escancarada pela sucessão de falências bancárias iniciada em 2008. Mas, quando perguntado, em 2004, por ocasião de uma palestra no American Enterprise Institute for Public Policy Research, se a União Europeia poderia se constituir na força que substituiria os Estados Unidos, Ferguson respondeu com um enfático "não". Para ele, a UE era um "desastre esperando para acontecer". Acreditava que a junção de culturas centenárias, por vezes milenares, sob uma mesma moeda só daria certo caso fosse concomitante à união fiscal, algo que não aconteceu. Teve, portanto, uma certeira visão do futuro.

"A Ascensão do Dinheiro" (Civilização, 2009) e "Colosso: Ascensão e Queda do Império Americano", [..].

Em "Civilization" mapeia o período de domínio do Ocidente no mundo, era que vive seu ocaso hoje.

Valor: Quais poderão ser as consequências desta crise mundial, originada nos Estados Unidos em 2008 e que ainda parece longe de estar solucionada?

Niall Ferguson: Não tenho nenhuma dúvida de que vivemos o fim da era de dominação do Ocidente. A grande história a que a humanidade assistiu nos últimos 500 anos foi a ascensão e o domínio do Ocidente. Mas o período em que os costumes ocidentais prevaleceram está começando a acabar. Já assistimos, nesta primeira década do século XXI, a um processo que se tornará ainda mais forte a partir de agora, que é o surgimento, ou ressurgimento, se pensarmos em termos históricos, de países como China e Índia. Além disso, os países da América Latina têm reduzido o fosso que os separa dos ricos.

V: Sem o "império" americano e a União Europeia, o mundo viverá um vácuo de hegemonia até que alguma outra nação entre em cena?

Ferg: Estamos no olho do furacão desse processo de passagem do equilíbrio de poder econômico do Ocidente para o resto do mundo. O poder tem saído das mãos das elites econômicas para os cidadãos em muitos países, num processo ainda difuso, mas cada vez mais abrangente. Um exemplo disso é o que ocorre com a mídia, devido ao enorme desenvolvimento das tecnologias de comunicação. Hoje, qualquer um pode escrever um blog sobre um problema, e a partir daí mudar o direcionamento de seu governo, antes influenciado apenas pelas elites econômicas e midiáticas. As redes sociais têm influenciado os levantes em Londres e a concentração de pessoas na praça Tahir [Egito]. A mídia é crucial para entender toda essa mudança que estamos vivendo, como sempre foi. As revoluções americana e francesa não teriam acontecido sem a imprensa.

V: Ao mesmo tempo, a maior inclusão no debate político proporcionado pelas redes sociais tem gerado casos de impasse, como ocorre nos Estados Unidos, onde pequenos grupos organizados, como o Tea Party, são acusados pelo governo Obama de travarem as negociações entre democratas e republicanos...

Ferg: A ideia de que os Estados Unidos estão polarizados e que isso é perigoso está totalmente errada. De fato, vivemos tempos de maior engajamento político, mas isso é muito mais interessante do que a fase pela qual os Estados Unidos estavam passando quando cheguei aqui pela primeira vez [no fim dos anos 1980]. Eram tempos de apatia e cinismo, e pouca participação política. Hoje é totalmente diferente. As pessoas estão politicamente energizadas pela internet e também por meios tradicionais, como a televisão. Acho isso ótimo.

V: Alguns analistas associam o maior acirramento político à série de eventos iniciada pelos ataques terroristas aos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. Como o senhor avalia isso?

Ferg: Os ataques terroristas não foram um ponto de inflexão na política americana de que tanto se falava. Foram, sim, o primeiro sinal de fragilidade do império, ao mostrar ao americano comum o sério risco representado pelo terrorismo e pelo Islã radical. Mas esses fenômenos eram novidade apenas para os Estados Unidos. Já se tratava de algo claro e evidente para o resto do mundo. Ao mesmo tempo, o episódio criou a chance de os Estados Unidos serem, pela última vez, um império em sua glória completa.

V: Foi o início do fim?

Ferg: Exatamente. As guerras no Afeganistão e no Iraque, naqueles primeiros anos, foram o último grande momento do poder americano. Em seguida, aquela nação que exalava um poder atraente e excitante passou a lidar com guerras mais complexas do que o governo George W. Bush inicialmente supunha, e também mais caras. Os Estados Unidos passaram a incorrer no triplo déficit - público, militar e em contas externas - e começaram a caminhar para a crise de 2008.

V: Como o senhor vê o combate à crise econômica nos Estados Unidos?

Ferg: O governo Obama poderia, facilmente, ser pior do que está sendo. Mas isso não quer dizer que o combate à crise seja correto. O governo realmente aprendeu a lição dada pela péssima decisão do governo [Herbert] Hoover [1929-1932], que não utilizou as políticas fiscal e monetária para resgatar os bancos e empresas que estavam falindo. Mas, ainda que tenha agido corretamente no resgate, em 2009, o governo Obama trabalhou com uma lei de estímulos que era uma bagunça, e o dinheiro não foi gasto do jeito que poderia, mesmo em termos keynesianos.

V: Como o governo americano poderia ter usado a política fiscal para combater a crise?

Ferg: Do modo como os chineses fizeram. O plano de estímulo à economia implementado pela China em 2009 foi um sucesso, ao concentrar uma fatia enorme de recursos para investimentos em infraestrutura. A sina que o governo Obama deixará é a falta de estabilização fiscal, especialmente o problema das aposentadorias, que começará a ocupar um espaço enorme no orçamento a partir de agora, com a aposentadoria dos "baby boomers" [os nascidos entre 1946 e 1964, que começam a se aposentar em 2011]. Metade dos americanos não paga imposto. Arrumar a questão fiscal e tributária será a missão número um do próximo presidente [que assume em 2013], mesmo que seja o próprio Obama.

V: Na Inglaterra, um forte aperto fiscal tem sido implementado desde o ano passado, mas ainda não parece ter dado resultado prático.

Ferg: No caso britânico, a análise é razoavelmente simples: a situação fiscal era realmente muito ruim quando [o atual primeiro-ministro] David Cameron assumiu [em junho de 2010]. Cameron realmente tinha que fazer algo para que a economia não parasse. A tentativa de controlar o enorme déficit público tão logo assumisse era a decisão certa a ser tomada, já que a situação era insustentável. Mas o governo deveria saber que, mesmo que o aperto fosse necessário, invarialmente produziria reação popular. Os protestos a que assistimos recentemente em Londres são resultado direto do enorme fracasso da política pública interna.

V E na União Europeia?

Ferg: A zona do euro está em uma trajetória muito perigosa. Caminhamos para um calote permanente. A política de aperto fiscal coordenado só piora o problema da falta de crescimento e não resolve a sinuca do alto endividamento. Há um problema profundo nos países europeus: uma espiral de mergulho do crescimento, risco de calote e de falências bancárias, e de uma crise política na Alemanha.

V: O senhor afirmou, em 2004, que a UE era um "desastre esperando para acontecer", porque não tinha realizado a união fiscal, apenas monetária. Acertou?

Ferg: Era óbvio que seria impossível sustentar uma união monetária sem uma união fiscal. Imagine os Estados brasileiros com liberdade fiscal, ainda que usando a mesma moeda. O país não funcionaria. Mas os líderes europeus não sabiam disso, o que demonstra uma completa ignorância histórica.

V: Sua previsão, portanto, está se confirmando?

Ferg: Não gosto quando as pessoas dizem "eu avisei". Mas, enfim, eu avisei.

V: Em 9 de dezembro deste ano serão completados 20 anos da desintegração da União Soviética. O senhor vê aí uma lição para os europeus?

Ferg: O grande paradoxo do nosso tempo é que a busca pela união expõe a necessidade de fragmentação. A falência da União Soviética demonstrou que o desejo de fragmentação política, embasada na miríade de diferenças culturais, era muito forte. Foi o último império a quebrar. Os países com grandes territórios que querem continuar com o tamanho que têm terão de atuar de maneira firme e compreensiva com suas minorias. Nesse sentido, Estados Unidos e Brasil, por exemplo, não vão se desintegrar. Mas o mesmo não pode ser dito da União Europeia, da Rússia e mesmo da China. Será interessante ver o mundo daqui a cem anos.

V: Valor: O que mais o preocupa hoje?

Ferg: O fato de que a economia mundial está muito próxima do que vivemos na década de 1930. Estamos à beira de uma depressão, a despeito dos países ricos terem implementado políticas fiscais e monetárias ativas. Já usamos todas as armas e continuamos em uma situação muito delicada.

Valor: E parece que não há um "plano B" para a economia mundial.

Ferg: Não há uma saída como em Bretton Woods [1944], um padrão ouro ou um Plaza Accord [1985] no radar. O G20, que teve participação importante na formação de consensos no pós-crise, entre 2009 e o início de 2010, desapareceu. O mundo está no "cada um por si", sem qualquer coordenação entre as nações. Os Estados Unidos, por meio do Federal Reserve, consideram uma terceira expansão quantitativa, sem qualquer consideração sobre o efeito que isso produzirá na moeda brasileira, por exemplo. Da mesma forma, a China mantém sua moeda ligada ao dólar, evitando sua valorização, sem se preocupar com o comércio global. Essa falta de coordenação é assombrosa.

V: O senhor é otimista quanto ao papel que o Brasil pode desempenhar no futuro?

Ferg: O Brasil é uma das razões para ficarmos otimistas, mas vai ser muito difícil para a economia brasileira manter seu ritmo de crescimento num cenário em que a União Europeia se auto destrói e os Estados Unidos ficam estagnados. O Brasil tem enfrentado a valorização de sua moeda, algo que continuará no médio e longo prazos. Aliás, os brasileiros vão precisar se preparar para um cenário em que os solavancos cambiais serão ainda mais violentos no mundo.

V: Qual deve ser a prioridade do governo brasileiro nesse cenário?

Ferg: Apelar para o fortalecimento de fóruns coletivos, como o G20, e para que se construa uma coordenação sobre o movimento nas taxas de câmbio.  ## JOSEPH NYE, aqui: I; II; III; IV.

 

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 00h24
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Quinta-feira , 08 de Setembro de 2011


TRIBUTAÇÃO DOS RICOS

Por Marcio Pochmann, Valor Econômico, 08set2011

A trajetória do desenvolvimento contempla a existência de um sistema tributário progressivo. Ou seja, a presença de impostos, taxas e contribuições que atuam em proporção maior com a elevação da renda e riqueza. Assim, a justiça tributária se manifesta logo na arrecadação do fundo público e se mantém na medida em que o gasto governamental seja proporcionalmente maior com a redução da renda e riqueza. Para se conhecer a eficiência do Estado, basta saber a forma com que tributa a sociedade e redistribui o que arrecadou para a população.

Pela tradição do subdesenvolvimento, a capacidade do Estado tributar os pobres tem sido proporcionalmente maior que a renda e a propriedade dos ricos. O inverso se estabelece na redistribuição do fundo público constituído por impostos, taxas e contribuições, uma vez que os pobres ficam geralmente com a parte menor do que contribuíram e os ricos com a parcela maior. Isso tudo porque os segmentos privilegiados demonstram inegáveis condições de pressionar o Estado a seu favor, bem mais que os demais estratos sociais, sobretudo os mais vulneráveis e desorganizados politicamente. Sobre isso, aliás, valeria aprofundar o debate acerca da eficiência do Estado.

Na virada do século XXI, o governo brasileiro demonstrou considerável interesse em elevar a qualidade do gasto social, o que permitiu melhorar o tratamento dos segmentos sociais mais vulneráveis e desorganizados politicamente. Por diversas modalidades de atuação das políticas públicas os segmentos de menor renda terminaram ampliando a absorção do fundo público. O impacto distributivo do Estado brasileiro se mostrou inegável, com queda no grau de desigualdade pessoal da renda de 9,5%, passando de 0,55, em 2003, para 0,50, em 2009 (índice de Gini, quanto mais próximo de 1 mais desigual a distribuição). Se desconsiderada a atuação do Estado sobre os rendimentos do conjunto da população, ou seja, a renda original sem incluir as políticas de transferências de renda, a redução no grau de desigualdade seria de apenas 1,7% (de 0,64, em 2003, para 0,63, em 2009).

Em síntese, constata-se uma positiva contribuição recente do Estado no tratamento da desigualdade da renda, especialmente pelo lado da redistribuição do fundo público arrecadado. Mas falta ainda, por outro lado, avançar na qualidade da arrecadação tributária, que permanece fortemente concentrada na parcela da população de baixa renda. Os ricos seguem demonstrando importante capacidade de driblar o conjunto dos tributos. Um bom exemplo disso pode ser observado na marcha da sonegação fiscal existente no Brasil. Inicialmente pela ausência de tributação nas aplicações financeiras de residentes nas operações realizadas no exterior, sobretudo nos chamados paraísos fiscais. Em 2009, por exemplo, somente os recursos aplicados em quatro dos 60 paraísos fiscais (Ilhas Cayman, Virgens Britânicas e Bahamas, mais Luxemburgo) existentes no mundo representaram mais de ¼ do total de recursos considerados investimentos diretos externos (IDE) pelo Banco Central. A intransparência e, por que não dizer, escassa regulação permite que esses recursos aplicados externamente possam retornar legalizados e com contida tributação. A ausência de uma taxação internacional faz prevalecer a sistemática de poderosos e ricos evadirem-se de suas contribuição ao fundo público.

Na sequência, podem ser identificadas diversas modalidades existentes no Brasil que facilitam a evasão fiscal. O contrabando nas fronteiras e o exercício da informalidade consagram funcionalidade à concorrência não-isonômica, ao mesmo tempo em que permitem que riqueza existente deixe de ser tributada. O resultado disso tem sido a concentração da renda e, sobretudo, da riqueza. Também nesse sentido segue inalterado o curso da tributação sobre as grandes fortunas no país, sem qualquer contribuição ao fundo público, devido à ausência de taxação específica conforme verificado nas economias desenvolvidas.

No caso ainda do favorecimento aos privilegiados e poderosos, cabe mencionar a baixa eficácia da tributação direta nas três esferas do federalismo brasileiro. Em relação ao imposto de renda da pessoa física, por exemplo, o Ipea estima que R$ 1 a cada R$ 3 deixa de ser arrecadado, ao passo que segmentos de maior renda podem financiar os seus gastos privados com educação, saúde, previdência e assistência social por meio de abatimentos na declaração anual. Só no financiamento da educação privada, o Estado brasileiro deixou de arrecadar R$ 5 bilhões daqueles que fizeram a declaração anual do Imposto de Renda em 2010.

 

sem gráfico

Por fim, os tributos diretos sobre a propriedade rural (ITR) e urbana (IPTU) seguem inacreditavelmente regressivos, uma vez que sinais exteriores de riqueza concentrada manifestada por latifúndios e mansões em progressão sigam quase imunes à contribuição justa ao fundo público. Além disso, constata-se também que o imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) permanece sem incidir sobre aviões, helicópteros e lanchas.

O adequado enfrentamento da injustiça tributária atual impõe a elevação da eficiência do Estado, seja no formato da arrecadação do fundo público como na sua redistribuição. Isso implicaria abandonar o vergonhoso peso do Estado proporcionalmente maior sobre os segmentos de menor rendimento, que transferem todo o mês praticamente a metade do que recebem por força do esforço do seu trabalho. Já os ricos, que por força de suas propriedades obtêm rendas elevadas, quase nada contribuem com o fundo público no Brasil.

Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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Heranças - Marcio Pochmann, 11ago2011

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 07h10
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Quarta-feira , 07 de Setembro de 2011


ECIB E PROJETO PIB

     Há cerca de 20 anos, livros bem conhecidos sobre economia brasileira não passavam de dois ou três. Dentre estes, o do professor Werner Baer era um dos destaques; hoje, já atualizado até o governo Lula (postei na internet palestra sobre esta parte do livro). No início dos anos 1990, A ordem do progresso, dos professores da PUC/RJ, acabava de ser lançado.

     Atualmente, esta situação está bastante diferente. Pode-se encontrar sem muitos esforços mais de uma dezena de livros. Somente no último decênio foram editados mais de cinco, como Economia brasileira contemporânea (Amaury Gremaud et al.), Economia Brasileira contemportânea (Lavínia Barros de Castro et al.), Economia brasileira (Rosa Maria Marques et al.). Mesmo sobre o governo Lula já foram lançados alguns, desde o ano passado. Além disso, é possível encontrar excelentes coletâneas, abrangendo, particularmente, as últimas três décadas.

     Estes livros produzidos com a intenção de serem manuais dos cursos de graduação, geralmente procuram abordar todos os possíveis assuntos, sendo compreensível que muitas questões apareçam sem maiores desenvolvimentos. Mesmo assim, às vezes temos o comprometimento de lê-los, por questões da arte, o que geralmente nos proporcionam boas recompensas.

     Dois trabalhos, realizados em momentos bem distintos, são bem diferentes desse padrão: (i) Estudo da competitividade da indústria brasileira – ECIB; (ii)  Projeto Perspectiva do Investimento no Brasil – Projeto PIB. O primeiro foi produzido na primeira metade da década de 1990. E, o segundo, durante quatro anos, foi concluído em 2010.

     O ECIB foi um dos três trabalhos contratados pelo Banco Mundial/Ministério da Ciência e Tecnologia, com o objetivo de diagnosticar os condicionantes da competitividade da indústria brasileira para subsidiar a formulação de uma política estratégica de competitividade. Paradoxalmente, iniciada durante o governo de Collor, donde começou a ser pregado e consolidado a noção de que política industrial era coisa do passado.

     Nesta pesquisa sobre a competitividade da indústria brasileira foram envolvidos mais de sessenta pesquisadores da Unicamp, Usp, Ufrj, Mct, etc., sob a coordenação de Luciano Coutinho e João Carlos Ferraz, atualmente presidente e diretor de Planejamento do BNDES, respectivamente. As diversas notas técnicas somaram cerca de 10.000 páginas, das quais resultaram num livro síntese (510 páginas), com título homônimo ao estudo. Todo este material ainda se encontra no site do Mct (há um mês com o acréscimo de um i, Mcti), felizmente.

     O projeto PIB foi uma pesquisa financiada pelo BNDES, basicamente no mesmo formato do ECIB, com algumas inovações analíticas; mais de sete dezenas de pesquisadores na equipe, coordenada pelo professor do Instituo de Economia da UFRJ, David Kupfer. O objetivo explícito do estudo era de contribuir para o aperfeiçoamento da política industrial e tecnológica do país.

     A grande especificidade destes dois estudos, produzidos em momentos tão distintos, refere-se a profundidade com que os temas são abordados. Ou seja, enquanto os livros-textos ou manuais de economia brasileira tratam cada tema de maneira quase sempre resumida, o ECIB e o Projeto PIB os abordam verticalmente, analisando e interpretando detalhadamente, seja mediante cortes amplos (infraestrutura; produção; economia do conhecimento), seja por meio de abordagens setoriais ou sistêmicas (energia; complexo urbano; bens salário; cultura; saúde; agroindustrial, antes, ou agronegócio, hoje). Como não há similar em nosso estado, o sonho acriano é que um trabalho dessa natureza possa ser realizado (escrevo do Rio).

Mas como o ECIB e Projeto PIB, algo nesse formato só pode ser produzido por demanda governamental direta. No Acre, em geral, tem-se preferência por pesquisadores externos, como aponta o histórico recente. Por exemplo, nos anos de 2008 e 2009, contratou-se consultoria com profissionais daqui do Rio de Janeiro, dos quais tive oportunidade de assisti palestra, com observações sobre a referida consultoria.

     A equipe carioca replicou metodologia de uma pesquisa (Banco Mundial) que tinha sido aplicada como piloto na América Latina. Mas depois de criterioso trabalho, ainda não tivemos o privilégio de ter acesso aos resultados, tal como podemos fazer com os estudos do ECIB e do Projeto PIB, que são inquestionavelmente as análises mais aprofundadas que dispomos sobre a dimensão industrial da economia brasileira, onde encontramos um diagnóstico bem feito, tanto do início dos anos de 1990, quanto da segunda metade da década de 2000; quase sempre mostrando que estamos muito atrasados em relação aos países da OCDE, em termos amplos.

     De toda forma, livros de economia brasileira, ECIB e Projeto PIB, todos são obras de consulta permanente, mesmo que os primeiros sejam análises horizontais e os dois últimos, verticais, com ênfase na questão produtiva. A leitura de apenas uma pequena parte desse material já contribui sensivelmente para a compreensão das transformações do setor produtivo brasileiro, nos últimos trinta anos.

Muito diferente das possibilidades que tínhamos para o estudo da economia brasileira, na década de 1980, com apenas dois ou três livros, e sem as facilidades da internet.

 

In: Jornal Página 20, 07-09-2011

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 05h32
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Terça-feira , 06 de Setembro de 2011


ECOS DA ERA REAGAN NO BRASIL DE DILMA

por Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, Valor Econômico, 06set2011 + ENTRE

Nas linhas e entrelinhas da grande, média e pequena imprensa saboreio as conjeturas de grandes economistas brasileiros reunidos em tertúlia no Instituto FHC [O futuro segundo os pais do Real; Para equipe do Real, reduzir taxa de juro agora exige paciência]. Cinco dos mais respeitados doutores da Ciência Triste desfiaram diagnósticos e recomendações de política econômica. Lançaram maldições e condenações aos caminhos e descaminhos da economia brasileira no período recente. Entre as propostas ilustradas figuravam a redução de impostos para estimular a poupança privada e uma reforma constitucional para afastar as ilusões inscritas na Constituição de 1988. Na avaliação desses economistas, a Constituição brasileira consagrou direitos econômicos e sociais "europeus".

Os reparos e as recomendações lembram as promessas da "economia da oferta", a inovação teórica do conservadorismo dos anos 70 nos Estados Unidos. Seus adeptos sustentavam que a insistência no estímulo fiscal associada à ação dos sindicatos deu origem simultaneamente à estagnação e à inflação, matrizes do desemprego a longo prazo. Por essas e outras, a "reestruturação conservadora" preconizava a redução de impostos para os ricos "poupadores" e a flexibilização dos mercados de trabalho. A curva de Laffer acusava os sistemas de tributação progressiva de desestimular a poupança e debilitar o impulso privado ao investimento, enquanto os sindicatos teimavam em prejudicar os trabalhadores ao pretender fixar a taxa de salário fora do preço de equilíbrio. Nos mercados de bens, a palavra de ordem era submeter as empresas à concorrência global, eliminando os resquícios de protecionismo e quaisquer políticas deliberadas de fomento industrial.

Submetidos à disciplina dos mercados - tão flexíveis quanto vigilantes - os trabalhadores livres, empresas enxutas e governos austeros receberiam a recompensa de lucros estáveis, empregos de alta produtividade, salários reais crescentes, orçamento equilibrado e descompressão dos mercados financeiros, agora aliviados das forças de "expulsão" da demanda de financiamento privado pela sanha do endividamento público. Para os mercados financeiros, os conservadores acenavam, portanto, com as maravilhas da desregulamentação e a eliminação das barreiras à entrada e saída de capital-dinheiro de modo que a taxa de juros pudesse exprimir, sem distorções, a oferta e a demanda de "poupança" nos espaços integrados da finança mundial.

 

As reformas deveriam ser levadas a cabo num ambiente macroeconômico em que a política fiscal esteja encaminhada para uma situação de equilíbrio intertemporal sustentável e a política monetária controlada por um banco central independente. Essas condições macroeconômicas significam que as duas dimensões públicas das economias de mercado - a moeda e as finanças do Estado - devem ser administradas de forma a não perturbar o funcionamento das forças que sempre reconduzem a economia privada ao equilíbrio de longo prazo.

O lero-lero do "trickle down" não entregou o prometido. A prodigalidade de isenções e favores fiscais para as camadas endinheiradas fez pouco ou quase nada para elevar a taxa de investimento no território americano, mas suscitou o ingurgitamento da esfera financeira, a multiplicação de paraísos fiscais, a migração da grande empresa para as regiões de baixos salários, os sucessivos déficits fiscais e a ampliação do déficit em conta corrente.

O jogo da competitividade global se aliou às novas normas de governança das empresas para concentrar o poder nas mãos dos acionistas e dos administradores da riqueza financeira. As empresas ampliaram expressivamente a posse dos ativos financeiros, não como reserva de capital para efetuar futuros investimentos fixos, mas como forma de alterar a estratégia de administração dos lucros acumulados e do endividamento. O objetivo de maximizar a geração de caixa determinou o encurtamento do horizonte empresarial. A expectativa de variação dos preços dos ativos financeiros passou a exercer um papel muito relevante nas decisões das empresas. Os lucros financeiros superaram com folga os lucros operacionais. A gestão empresarial foi, assim, submetida aos ditames dos ganhos patrimoniais de curto prazo e a acumulação financeira impôs suas razões às decisões de investimento, aquelas geradoras de emprego e renda para a patuleia.

Observadas do ponto de vista das instituições e dos instrumentos financeiros, estas transformações na riqueza espelham a maior importância da finança direta e "securitizada" em relação ao crédito bancário. A desregulamentação financeira permitiu que fossem apagadas as fronteiras demarcadas depois da crise dos anos 30 entre bancos comerciais, bancos de investimento, seguradoras e instituições de poupança (as "savings and loans"). Transformados agora em supermercados financeiros, os bancos cuidaram de avançar na "securitização" de créditos e se envolver no financiamento de posições nos mercados de capitais e em operações "fora do balanço" que envolvem derivativos. Isso foi acompanhado por uma espiral de alavancagem na cadeia alimentar da finança: bancos comerciais, fundos e bancos de investimento.

A concorrência entre as instituições financeiras foi um fator decisivo na atração da clientela e na aceleração das inovações financeiras. Os administradores de portfólios, na ânsia de bater os concorrentes, procuravam exibir as melhores performances. Para tanto, abriram espaço em suas carteiras para produtos e ativos de maior risco. A busca obsessiva por resultados de curto prazo estimulou a utilização dos fundos próprios das empresas (lucro e reservas de depreciação) para a recompra de ações e pagamento de dividendos. As exigências dos mercados de ações impuseram às empresas sucessivas rodadas de "downsizing". A queima dos melhores postos de trabalho determinou a estagnação dos rendimentos da classe média para baixo, abrindo espaço para agravar a desigualdade e enredar as famílias nas malhas do endividamento crescente. A procissão de desenganos foi acompanhada da ampliação dos déficits fiscais e em conta corrente, para não falar dos danos à estrutura industrial e da consequente transição dos Estados Unidos de país credor para devedor.

Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e escreve mensalmente às terças-feiras.

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UM VIVA PARA O COPOM

por Antonio Delfim Netto, Valor Econômico - 06/09/2011

A indignada e quase raivosa reação de alguns analistas, que se supõem portadores da "verdadeira" ciência monetária, à recente decisão do Copom, de baixar 50 pontos na Selic, revela que, para eles, a sacrossanta "independência" do Banco Central só é reconhecida quando esse decide de acordo com os conselhos que eles, paciente, gratuita e patrioticamente, lhe dão todos os dias, através da mídia escrita, radiofônica e televisiva.

Qualquer desvio só pode ser atribuído e explicado pela "pecaminosa" intervenção do governo que teria jogado a toalha: abandonou a "meta de inflação" e colocou em seu lugar a "meta de crescimento do PIB", não importa a que "custo inflacionário"...

Trata-se, obviamente, de uma acusação irresponsável, injusta e arrogante. Irresponsável, porque colhida furtivamente de "fontes preservadas", que podem não passar de pura e conveniente imaginação, desmentida, aliás, pelos votos divergentes. Injusta, porque pela primeira vez, em quase duas décadas, o Banco Central mostrou que é, efetivamente, um órgão de Estado com menor influência do setor financeiro privado. Arrogante, porque supõe que nenhuma outra visão e interpretação alternativa da realidade diferente da sua possa existir.

O mundo está literalmente vindo abaixo e sugere-se que o Copom deveria repetir o dramático erro de 2008: "Esperar para ver"! Vacilamos quando podíamos ter reduzido a taxa de juro real. Tínhamos um pouco menos de musculatura do que agora, mas poderíamos ter assegurado uma redução muito menor e uma recuperação mais rápida do financiamento do "circuito econômico". Na minha opinião (que é apenas uma opinião impressionista), poderíamos ter crescido qualquer coisa como 2% ou 3% em 2009, em lugar de registrar queda do PIB de 0,6% e, ao mesmo tempo, ter reduzido dramaticamente a taxa de juros real.

As medidas fiscais e monetárias tomadas recentemente pelo governo (nas quais, aliás, tais analistas não acreditavam) estão reduzindo a taxa de crescimento a uma velocidade maior do que se esperava. Com o crescimento do PIB dessazonalizado de 0,8%, do segundo trimestre sobre o primeiro, e a enorme redução da expansão da indústria, é muito pouco provável que o PIB do ano cresça fora do intervalo de 3% (se o crescimento nos terceiro e quarto trimestres for zero) a 3,6% (na hipótese pouco provável de que cresçam também 0,8%).

Mas afinal o que se espera, ainda, das taxas de juros? Que controlem a inflação ou derrubem mais o crescimento? Todos os bancos centrais (mesmo os que não têm isso nos seus estatutos) olham para o nível de atividade e sabem que a política monetária tem efeitos com defasagens variáveis. Devem olhar não apenas a taxa de inflação futura, mas também para o ritmo de crescimento futuro. E devem ser realistas quanto às condições físicas objetivas que levam ao altíssimo custo social de tentar corrigir desajustes estruturais (como é o caso do ajuste qualitativo entre a oferta e a demanda no mercado de trabalho) reduzindo o crescimento do PIB à custa do aumento da taxa de juros real, com o que se destrói, colateralmente, o equilíbrio fiscal.

Os números externos pioram a cada dia. Na última semana de agosto: 1) no teatro de Jackson Hole, o Fed, o BCE e o Banco da Inglaterra mostraram as suas perplexidades. O mundo tomou conhecimento da receita acaciana de Bernanke: "Farei o que tenho que fazer", sem especificar do que se trata. Remeteu a incerteza para 21 e 22 de setembro, na nova reunião do Fomc; 2) as perspectivas de crescimento mundial caíram para 2,5% (com viés de baixa, contra 3,9% em 2010); 3) o crescimento dos EUA foi reduzido a 1,4% (contra 3%); 4) a Eurolândia, com a redução do crescimento da Alemanha, talvez para 2%; e 5) a China estima crescer 8,7% (contra 10,3% em 2010).

É hora do Brasil pôr as suas barbas de molho: 1) reforçar, como está fazendo, o equilíbrio fiscal de longo prazo e aprovar as medidas que estão no Congresso com o mesmo objetivo; 2) manter sob controle as despesas de custeio e melhorar a qualidade do financiamento da dívida interna; e 3) adotar medidas microeconômicas para corrigir os desequilíbrios do mercado de trabalho, o que, obviamente, não pode ser feito com manobra da taxa de juros.

Isso possibilitará ao Banco Central, diante do complicado quadro interno e externo, prosseguir, com cuidado, mas persistência, a necessária redução da nossa taxa de juros real, abrindo espaço para o investimento público.


DUPLO ESPANTO
por DELFIM NETTO, folha de são paulo, 07set2011

Fomos surpreendidos semana passada por dois fatos: 1º) a redução da taxa Selic de 12,50% para 12% ao ano, promovida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central e 2º) a reação hidrofóbica de analistas do mercado financeiro que se pensam portadores da "verdadeira" ciência monetária. Para estes, o Copom teria violado não só as recomendações da tal "ciência", como teria comprometido, irremediavelmente, a credibilidade do Banco Central.
Qual a razão da crítica fumegante? Segundo seus autores, a decisão "foi claramente política" e desrespeitou os cânones da "ciência" que supõem praticar.
O Copom teria trocado sua "autonomia operacional" pelas graças do governo... Para alguns, reforçou-se, assim, a necessidade de reconhecer que essa "autonomia" é insuficiente: o BC precisa mesmo, é ser "independente" do poder incumbente que ignora a ciência e é corrupto por definição!
O poder eleito por 60 milhões de votos deve entregar a condução da política monetária a meia dúzia de sacerdotes não eleitos, com mandatos irrevogáveis que supostamente conhecem e professam a religião da salvação monetária!
Tais críticas têm duas fraquezas: 1º) a tal "ciência monetária" não existe. A política monetária deve ser uma combinação de sólidos conhecimentos da situação conjuntural e de como reagem os agentes econômicos (trabalhadores e empresários) ante as manobras da taxa de juros real.
Ela é uma "arte" que comporta visões alternativas diante das incertezas do futuro. Como os efeitos monetários se fazem sentir ao longo do tempo, só este é capaz de dizer "a posteriori" se a perspectiva escolhida foi certa ou errada.
Estando o mundo caindo aos pedaços, é muito provável que a adotada pelo Copom possa materializar-se. Seria ridículo repetir o que os mesmos analistas recomendaram em 2008: "esperar para ver" e 2º) a acusação que o "BC rendeu-se ao governo" é irresponsável, injusta e arrogante.
Irresponsável, porque colhida furtivamente de "fontes preservadas" e que talvez seja apenas imaginação conveniente, desmentida, aliás, pela existência de votos divergentes. Injusta, porque pela primeira vez em duas décadas o Banco Central é, efetivamente, um órgão de Estado, com menor influência do setor financeiro privado. E arrogante, porque supõe que nenhuma visão e interpretação da realidade que não seja a sua possa ser adequada.
É hora de saudar a "estatização" do BC e a sua decisão.
Se ela continuar, como tudo indica, apoiada pela política fiscal de longo prazo do governo Dilma, teremos iniciado a resolução do maior enigma brasileiro: a normalização da teratológica taxa de juros real que nos acompanha.
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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 01h19
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SOBREVIVÊNCIA DA INDÚSTRIA DIVIDE ECONOMISTAS

Por Chico Santos, Marcelo Mota e Vera Saavedra Durão | Do Rio

Jornal Valor Econômico, 06set2011

"Abrir mão da indústria é quase que jogar fora a nossa história." "Não consigo enxergar a indústria sobrevivendo no Brasil." 

Dois economistas de peso, um neoclássico e um keynesiano, convidados para debater a posição do Brasil ante a crise mundial produziram as duas frases acima.

Samuel Pessôa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da consultoria Tendências, autor da polêmica primeira frase, avalia que a opção da sociedade brasileira pela busca da equidade se opõe à alternativa de crescer com mais velocidade, na medida que pressupõe abrir mão do aumento da poupança. Com baixa poupança, não há como a indústria do país competir com os chineses e asiáticos em geral, que poupam muito e têm mão de obra mais barata do que a nossa. O quadro se agrava com a maior produtividade das commodities atraindo torrentes de dólares e fazendo do real sobrevalorizado um inimigo mortal da indústria.

O desenvolvimentista Luiz Carlos Prado, do reduto keynesiano da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autor da segunda frase, concorda com Pessoa que em uma democracia a sociedade escolhe as opções, mas entende que o Estado "não é passivo nesse processo" e "se articula com a sociedade no sentido de ir levantando escolhas". Entre essas escolhas, "a sobrevivência da indústria é uma questão fundamental". Prado utiliza o exemplo chinês de terceirizar para os vizinhos asiáticos a produção de bens industriais mais intensivos em mão de obra para propor que o Brasil faça o mesmo na América do Sul com países como Paraguai e Bolívia, liderando uma efetiva integração comercial.

Quando o debate chegou à inflação, mais discordância. Prado, fiel ao pensamento keynesiano, entende que o Brasil precisa distribuir renda para criar demanda e que a alta dos preços tem origem inercial. Para Pessoa, o que existe é carência de oferta de bens.

 

A discussão, anterior ao corte de 0,5% na taxa de juros pelo Banco Central (BC), durou mais de duas horas e meia. A seguir, os principais trechos do debate.

Valor: Considerando a hipótese de estagnação do mundo desenvolvido, o Brasil conseguiria, voltando-se ao mercado doméstico, como a China, manter um certo padrão de crescimento razoável?

 


 

Samuel Pessôa: Eu acho que o Brasil tem capacidade de crescer. A China continua a trajetória dela, com essa transição para o mercado de consumo interno que eles vão ter que fazer. A minha leitura é que isso significa que commodity agrícola continuará em alta e commodity mineral talvez não suba tanto.

Valor: Isso no médio prazo?

Pessôa: Cinco anos. Porque o investimento vai cair um pouquinho, mas principalmente porque em commodity mineral a resposta da oferta é maior. Nos próximos três anos, a produção de minério de ferro no Brasil vai dobrar. E não vai ser só o Brasil que vai crescer, então o preço vai cair. Mas eu acho que a gente vai continuar exportando muito minério de ferro, muita soja, muita commodity. Esse viés da economia brasileira na direção de ser um grande produtor de commodities, e uma certa regressão da indústria, acho que é estrutural, não vai mudar. Eu acho que vai cair o crescimento potencial nosso, porque uma parte dele é redução da taxa de desemprego. Provavelmente, o que o país pode crescer está mais para 3,5% do PIB ao ano do que para 4%.

 

Luiz Carlos Prado: Equacionada a questão inflacionária, com o Plano Real, a questão de crescimento volta a entrar em pauta, ou seja, daqui por diante, qualquer que seja o partido que estiver no poder vai ter que manter uma taxa de crescimento razoável. O que mudou, e isso é um pouco curioso, foi a questão externa. No passado, o Brasil não tinha como reduzir o tamanho relativo da sua indústria. Ou seja, para sustentar uma taxa de crescimento, tinha que aumentar o tamanho da indústria porque tinha que atender uma demanda doméstica nesse setor crescente, e se você aumentasse via importação, rapidamente caminhava para uma crise cambial. Como a gente ganhou espaço na área externa, de certa maneira é possível sustentar uma taxa de crescimento um pouco mais elevada com algum grau de desarticulação da indústria. E aí é onde entra o principal debate da sociedade brasileira. Que tipo de composição de produção doméstica nós queremos?

Pessôa: Eu tenho uma discordância básica: eu acho que a agenda ainda não é de crescimento, se sim de igualdade, de equidade. Vai crescer o que der para crescer depois de atingir os objetivos prioritários de equidade.

Valor: O sr. não acha que esse aumento da igualdade tem levado ao crescimento? ...SEGUE...

 

 Industrial Revolution or Agricultural Revolution?

Speakers: Ernest Aryeetey, Ijaz Nabi, Professor Mark Rosenzweig, Paul Romer, Professor John Sutton
Chair: Joel Kibazo
This event was recorded on 21 September 2010 in Sheikh Zayed Theatre, New Academic Building
A distinguished panel tackles controversial and highly significant questions regarding the relative importance of industrial and agricultural revolution in the developing countries today, for both economic growth and wider development.

 

Here: Manufacturing

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 01h15
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Segunda-feira , 05 de Setembro de 2011


PAUL FEYERABEND

Livros (wiki):

1. Contra o método;

2. Adeus à razão;

3. A conquista da abundância;

4. Diálogos sobre o conhecimento. Faz comenários interessantíssimos sobre pareceristas.

 

Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 10h46
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Sexta-feira , 02 de Setembro de 2011


A DIVISÃO DOS MESTRES

Por Carla Rodrigues | Para o Valor Econômico, do Rio

Nem sempre os dicionários registram todas as possibilidades de significado de uma palavra. As conotações pejorativas, por exemplo, podem demorar a ser dicionarizadas. Não é o que acontece com "acadêmico", termo para o qual o "Houaiss" já registra o sentido pejorativo: "Que não produz resultado prático imediato". Fruto das críticas ao meio universitário como um ambiente fechado em si mesmo e distante dos interesses da sociedade, o uso depreciativo de "acadêmico" tem se expandido, até mesmo, nos meios acadêmicos, tendência que pode ser lida tanto como positiva e indicadora de alta capacidade de autocrítica, quanto como negativa e resultado da máxima de reprovação do termo. Apesar disso, na última década o Brasil viu explodir o crescimento das matrículas em mestrados acadêmicos, que pularam de 17,6 mil em 2000 para mais do que o dobro em 2009, com 35,6 mil títulos obtidos.

Em ritmo ainda maior cresceram também as matrículas nos mestrados profissionalizantes. Regulamentados no fim dos anos 1990, esses cursos começaram a ser oferecidos a partir de 2000 para responder a uma demanda do mercado e, como contraponto ao acadêmico, produzir resultados práticos imediatos.

As áreas nas quais o mestrado profissionalizante mais se destacou desde que começou a ser consolidado, nos últimos dez anos, são administração, engenharia, economia, odontologia, ciências e matemática e saúde coletiva. Ao todo, as matrículas subiram de acanhadas 210 em 2000 - número que se explica pelo fato de ser o primeiro ano de efetivação - para 3.102 em 2009. "É um crescimento muito significativo", atesta o diretor de avaliação da Capes, Lívio Amaral. A modalidade de mestrado profissional tem, segundo ele, a intenção de formar recursos humanos que sejam destinados rapidamente a qualificar mão de obra nos setores não acadêmicos, como indústria, serviços e governo. "Estamos transformando o mestrado profissional em política de governo a fim de atender uma necessidade da sociedade", diz Amaral. A iniciativa tem sido bem recebida nas universidades, embora em ritmo ainda abaixo das expectativas, o que indica algumas resistências. O mestrado profissionalizante, explica ele, se presta melhor a determinadas áreas do que a outras.

SEGUE

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Para obter uma força de trabalho qualificada e global

Por Allan E. Goodman - Jornal Valor Econômico

 

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Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 09h26
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ESTADO CRÍTICO [Vito Tanzi]

Por Cyro Andrade | De São Paulo - Jornal Valor Econômico, 02-09-2011 e Fim de Semana

A anunciada nova estratégia fiscal do governo federal, com seus pormenores técnico-burocrático-racionalistas, sugere alguma reflexão com tintas de filosofia política sobre o papel do Estado na economia - o que é, o que deveria ser, com o uso de quais instrumentos de ação e, particularmente, transcorrendo por quais caminhos no relacionamento com o mercado.

Poucas pessoas no mundo - não há exagero na qualificação - estarão melhor preparadas do que o economista italiano Vito Tanzi para falar com propriedade sobre esses assuntos, e sem perder o foco de sua inserção num painel de referências intelectualmente enriquecedoras. É o que ele faz, de novo, em seu mais recente livro, "Government versus Markets - The Changing Economic Role of the State" (o 14 º, além de outros 11 que editou), publicado pela Cambridge University Press, também disponível em formato eletrônico. Doutor em economia por Harvard, consultor de organizações internacionais, ex-secretário de Economia e Finanças do governo italiano, Tanzi chefiou a divisão de política tributária do FMI (1974-1981), onde também foi diretor do departamento de assuntos fiscais (1981-2000). Ao todo, portanto, passou 27 anos em posições, naquela organização, que lhe permitiram observar governos de perto - uma centena, incluindo o Brasil - suas contas e políticas, muitas vezes aconselhando-os a respeito da direção a seguir. Aqui esteve em várias reuniões com funcionários do governo. Em 1992, chefiou uma missão de avaliação tributária. Dedicou a assuntos brasileiros boa parte do livro "The Charm of Latin America: Economic and Cultural Impressions" (2010).

Em seu livro de agora, o Estado (ou o governo) é submetido a um exercício crítico de eficiência no desempenho de funções de intervenção econômica enlaçadas com as do mercado, sob influência de forças políticas e de ambientes institucionais. O destaque temático é para a escolha dos meios: política fiscal ou regulação? Ou: quanto de cada?

Perde primazia a avaliação do papel econômico do Estado só em termos fiscais. A regulação de mercados ficou mais importante, diz Tanzi

Para Tanzi, vai ficando para trás a validade de avaliação do papel econômico do Estado exclusivamente em termos de nível e estrutura de impostos e gastos públicos. Deve ser dada mais importância a outros instrumentos, aqueles que se encontram nas possibilidades de regulação do mercado, para eliminação de suas falhas artificiais, "muitas vezes criadas sob o beneplácito do governo, se não tiverem sido criadas por ele próprio". Isso inclui monopólios não naturais, instituições financeiras "grandes demais para falir" (recorde-se o salvamento de bancões americanos), favorecimento de posições rentistas (o Brasil continua campeoníssimo nesse quesito, que, ao que se informa, seria atacado por tabela com a estratégia fiscal mais agressiva da presidente Dilma). Abusos relacionados a insuficiências de informação também entram na lista.

Não que se vá negligenciar a busca da política fiscal mais eficaz. A ideia de Tanzi é de que, se o governo direcionar mais de seus esforços para promover a eficiência do mercado - ao mesmo tempo que corrige situações de grave injustiça social, em vez de substituir o mercado sob a alegação de que está corrigindo presumidas falhas -, poderá reduzir significativamente seu papel de agente de gastos e tributação.

O título originalmente escolhido pelo autor, "The Economic Role of the State in a Changing World", estaria mais de acordo com a linha de pensamento em que Tanzi se movimenta no livro: o mundo em mudança é o mundo da globalização sempre mais intensa, da crise de 2008-9 e de próximas turbulências, fruto inescapável, imagina Tanzi, da ausência de coordenação de iniciativas governamentais em matérias de regulação de mercados. Esse vazio conflita com as complexidades crescentes e também incontornáveis de funcionamento dos mercados em geral, não só os financeiros. Em tal alvoroço de circunstâncias, Estados carregados de déficits e dívidas - fardo que Tanzi coloca como razão essencial da crise desencadeada em 2008 - e, em considerável escala, de vícios políticos correlatos, andam necessitados de novas normas de conduta. Justamente para que possam desempenhar seu papel econômico em intercâmbio de complementaridades com o mercado. Sem conflitos, portanto, entre as partes, como pode sugerir o título afinal adotado para o livro depois que o editor considerou o original "muito acadêmico", como explica Tanzi.

O problema está em encontrar a dosagem adequada de intervenção, entre um extremo, o das economias centralmente planificadas, e outro, estabelecido pela "ideologia do laissez-faire". Trata-se, então, de buscar um papel econômico para o Estado tendo em mente que um possível ponto de equilíbrio "deve ser continuamente adaptado a novos acontecimentos". Será uma busca constante, "importante e difícil", essa do papel do Estado "que se ajusta à ecologia mutante do mercado e, ao mesmo tempo, influencia essa ecologia". Nada, porém, se dará de maneira aleatória. Haverá regras e, especialmente, deverá haver princípios. Tanzi observa que regras, geralmente, colam-se a acontecimentos correntes, e frequentemente o fazem com grande defasagem. Princípios ficam vários degraus acima. São estabelecidos para serem atemporais. Quando são escritos, olham para o futuro. E deverá haver instituições que fiscalizarão a observância dos princípios.

Entra aqui a questão das chamadas "falhas de mercado", que ocorreriam quando, na ausência de regulação, os mecanismos de mercados deixados livres e soltos dão origem a resultados econômicos não eficientes ou socialmente não desejáveis. Essas "falhas" foram tomadas para justificar a intervenção do Estado na economia durante grande parte do século passado, especialmente nas últimas seis décadas. E assim, embora o princípio da falha de mercado seja "obviamente útil", consolidou-se uma tendência nociva de sua aplicação, segundo Tanzi, que pode ter contribuído para o grande crescimento dos gastos públicos, porque novas, presumidas falhas do mercado, eram encontradas o tempo todo e induziam ações governamentais compensatórias.

A validade do princípio decai em alguns aspectos fundamentais, diz Tanzi. Por exemplo, ignora o impacto da intervenção corrente do Estado sobre o desenvolvimento futuro dos mercados privados e tende a ver a falha do mercado como um resultado estático, e não dinâmico, de mudanças contínuas, inclusive aquelas promovidas pelo próprio governo. Há também o fato de que se define a falha de mercado de uma forma puramente técnica, embora possa ter significados diferentes para diferentes pessoas. Mais ainda: "Por razões políticas ou burocráticas, governos têm frequentemente mostrado preferência por "substituir" o mercado, em vez de corrigir suas reais deficiências".

"O ponto de vista de que é possível expandir [os gastos públicos] agora e que teremos tempo para fazer a contração mais tarde é ingênuo

Olhe-se de outro ângulo: "falhas" acontecem enquanto o mercado se torna mais complexo e, assim, "potencialmente requer diferentes tipos de intervenção governamental". Novas tecnologias, novas técnicas de gestão, globalização crescente, tudo isso "tornou os mercados potencialmente mais eficientes e sofisticados, capazes de satisfazer muitas das necessidades das pessoas". Nem todas as necessidades, porém, nem de todas as pessoas. Com a maior complexidade, tende a ser maior a queda potencial de equidade. Aí também o governo terá o que fazer.

"Se os governos direcionarem mais seus esforços para promover a eficiência do mercado e a equidade, e menos para substituir o mercado por causa de presumidas 'falhas', poderiam reduzir significativamente seus papéis como agentes de gastos e tributação, enquanto continuariam a prover para a maioria dos cidadãos os serviços e bens públicos que apenas a intervenção do Estado pode proporcionar com eficiência."

Não tem sido assim. "Os orçamentos públicos tornaram-se maiores, menos flexíveis, e menos discricionários, atando as mãos de futuros governos. Hoje, a parte realmente discricionária dos orçamentos anuais da maioria dos países é frequentemente muito pequena, tornando difícil cortar gastos públicos sem reformas fundamentais."

Então, já não há um limite específico, identificável, para a função "gastos" do Estado. "As demandas por maiores gastos podem continuar ao infinito, enquanto houver resposta política para elas." Ou seja, no mundo real e no sentido político, não existe um nível "ótimo" de gastos públicos, ou um papel "ótimo" para o Estado, como pareceria estar implícito na literatura econômica de bens públicos e na ideia de falhas de mercado, cuja aplicação indiscriminada faz o papel do governo parecer apolítico. "No mundo real, o papel econômico do Estado é amplamente determinado pela política e é constrangido principalmente por dificuldades de financiamento e possivelmente por arranjos políticos e institucionais (Constituições, regras fiscais etc.), que tornam mais fácil ou mais difícil para os formuladores de políticas resistir a demandas vindas diretamente de diferentes públicos."

Em resposta a uma pergunta do Valor (leia trechos adiante), Tanzi concorda: há um paradoxo insuperável no fato de que os mesmos políticos que se beneficiam - inclusive através de corrupção - de grandes gastos públicos seriam responsáveis pelo estabelecimento de novas instituições necessárias para fazer valer novas regras para o mercado numa situação de gastos públicos em redução. "Sem dúvida. É por isso que situações normais raramente levam a mudanças significativas. Às vezes, crises são necessárias para aguçar as mentes, ao criarem incentivos e oportunidades para que se façam mudanças significativas."

- Pode-se esperar que a atual crise oferecerá essa espécie de contribuição?

"Até agora, a crise não foi intensa o suficiente para que isso aconteça."

Tanzi não duvida de que, na falta de um equacionamento coordenado da confusão fiscal e de endividamento em que o mundo está envolvido, a crise de 2008-9 continuará a ter desdobramentos. E no entretempo poderão ir se forjando, ele acredita, condições que colocarão em risco a própria economia de mercado.

Valor: O senhor diz em seu livro que o livre mercado é como um sistema ecológico que passa por um processo contínuo de evolução e adaptação. É possível citar momentos, na história recente, em que esse processo foi interrompido ou distorcido, levando, no final, a situações que contribuíram para que a atual crise acontecesse?

Tanzi: O livro dá destaque à questão da complexidade, em várias áreas, especialmente no mercado financeiro. Em 2006, escrevi um artigo ["Complexity and Systemic Failure"], publicado em 2007 [num livro editado pela Palgrave, em Londres] no qual chamei atenção para a crescente complexidade, especialmente mas não apenas no mercado financeiro, e previ que isso levaria à crise do mercado financeiro. Em 2003, num comentário publicado pelo "Financial Times", chamei atenção para os crescentes déficits que levariam à crise fiscal.

Valor: O senhor diz que a crescente complexidade do mercado potencializa diferentes ações de intervenção governamental. Mais: governos deveriam concentrar suas ações em prevenção, muito mais do que em reparos ex-post ou correções e isso deveria ser um princípio fundamental a guiar o papel econômico do Estado. Por que governos sempre correm "atrás" do mercado?

Tanzi: Por que, como no caso da linha Maginot, que a França criou antes da Primeira Guerra Mundial, políticos e reguladores baseiam suas decisões em eventos passados e têm muito menos capacidade de prever mudanças. O hábito de confiar em regras específicas, numa sociedade baseada em regras, reforça essa atitude. Princípios, em adição a regras, deveriam desempenhar mais de um papel em nossas maneiras de formular políticas. Mas isso naturalmente cria, ou pode criar, outros problemas.

Valor: Quais outros problemas?

SEGUE

 

 

SSA Historical Research Note #25: Ponzi Schemes vs. Social Security 

"Great article! There is another very important distinction between pay-as-you-go systems and Ponzi schemes: In a Ponzi scheme, ***people are deceived***. In contrast, SS is totally transparent and people know that current recipients are being paid from current contributions by design" by Dude Spellings


Escrito por Porfiro / Twitter: @jporfiro às 08h28
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