Alguns jornalistas são conhecidos por servir exclusivamente para repassar informações de determinados grupos ou indivíduos, como se houvesse um convênio celebrado para tal finalidade.
Existem muitos exemplos na área do jornalismo político ou econômico. Podemos lembrar da conhecidíssima Miriam Leitão. Em seu programa semanal da Globonews (acho que são mais ou menos de 45 edições anuais), 40% das entrevistas são "reservadas" para um grupo de indivíduos que obrigatoriamente aparecem no programa duas, três ou quatro vezes por ano, cada um. Seria muito difícil ela esquecer de convidar Gustava Franco, Armínio Fraga, e mais outros que compõem esse time fechado do mercado financeiro.
Na coluna Panoramica, jornal O Globo, ela é uma verdadeira passa recado, quase sempre das mesmas pessoas; denominam-a de papagaio de...
Como ela é a jornalista mais conhecida, fiel a essa prática de repassar recados de seus clientes influentes, geralmente não prestamos muita atenção aos demais.
Hoje, no jornal Valor Econômico, a Claudia Safatle, de Brasília, quase se supera. Não satisfeita com os canais privilegiados que Armínio Fraga já dispõe, ela foi acionada para transmitir umas ideias que o ex-presidente do Banco Central, atual presidente da Bovespa, presidente da empresa Gávea Investimentos tinha preparado para o momento. Ela foi perfeita; o Jornal Valor Econômico é um verdadeiro bulletin.
Claudia Safatle fez uma entrevista com esse poderoso administrador de fundos que saiu no Valor Econômico com o nome de especial. Qual o recado que ele queria passar? A ideia de que o governo está impimindo indevidamente uma linha de Estado máximo e atendendo interesses particulares. Para isso usou de todas as terminologias de impacto.
Indícios de patrimonialismo, postura agressiva de ampliação do Estado, "...a sensação de que o Estado passou a servir a interesses partidários, a interesses privados, sindicais. Acho que precisamos iniciar a discussão de reestatização do Estado".
E a jornalista quando foi sintetizar a ideia do investidor sobre o marco regulatório do pré-sal, considerado exagerado, não deixou por menos: "São recursos que precisam ser bem administrados, com regras claras de governança do ponto do vista cambial, orçamentário e do investimento. 'Defendo com entusiasmo levar mais a sério o orçamento, que é o espaço mais natural e mais democrático para decidir o que se faz com nosso precioso dinheiro'."
Quando ele menciona o nome de pessoas do governo passado não perde tempo em afirmar que o patriotismo das mesmas está acima de qualquer suspeita.
A jornalista foi escalada para fazer o serviço especial. A menina não fez nenhuma pergunta de jornalista verdadeiro, sequer. Ela quiz apenas transmitir um recadinho.
O que significa um grande investidor reclamando que o governo não está fazendo, regulando (pré-sal), do jeito que eles querem, senão a defesa de seus interesses.
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